O dólar à vista encerrou a sessão desta quarta-feira (8) com uma desvalorização de 1,10%, cotado a R$ 5,1029. Trata-se do menor valor nominal registrado desde 17 de maio de 2024, em um movimento impulsionado pela descompressão dos prêmios de risco globais após o anúncio de um acordo de cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos e Irã, revelado pelo presidente Donald Trump na noite anterior.
Durante a manhã, o otimismo no mercado financeiro levou a divisa americana a operar abaixo do patamar de R$ 5,10, atingindo a mínima de R$ 5,0656. Entretanto, ao longo da tarde, a moeda reduziu o ritmo de queda, acompanhando a volatilidade no exterior e sinais de fragilidade na trégua do Oriente Médio.
A instabilidade foi alimentada pela notícia de que o Irã voltou a fechar o Estreito de Ormuz como represália a ataques israelenses contra bases do Hezbollah no Líbano.
A tensão aumentou após o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, classificar as negociações como "irracionais" diante do cenário atual, alegando violações de pontos centrais da proposta antes mesmo do início formal das tratativas.
Em contrapartida, Trump e o vice-presidente, JD Vance, enfatizaram que o Líbano não fazia parte do acordo de cessar-fogo. Esse clima de incerteza refletiu no índice DXY — que mede o dólar contra uma cesta de seis moedas fortes —, que voltou a superar os 99,000 pontos à tarde após registrar mínima de 98,951 pela manhã, acumulando alta superior a 0,70% no ano.
No setor de commodities, o petróleo registrou quedas expressivas, superiores a dois dígitos, voltando a ser negociado abaixo de US$ 100. O barril do WTI para maio despencou 16,4%, cotado a US$ 94,41, enquanto o Brent para junho, referência para a Petrobras, recuou 13,3%, fechando a US$ 94,75.
Apesar do alívio nos preços da energia, o real apresentou um desempenho inferior ao de seus pares emergentes, como os pesos chileno e mexicano e o rand sul-africano, que registraram valorizações mais acentuadas frente ao dólar.
Analistas alertam para a cautela necessária neste momento. Luis Ferreira, CIO do EFG Private Wealth Management, destaca que o prêmio de liquidez e proteção do dólar não se dissipa imediatamente e só deve ceder de forma consistente quando houver confiança de que a descompressão geopolítica é duradoura.
Na mesma linha, Andres Abadia, economista-chefe para a América Latina da Pantheon Macroeconomics, observa que o cessar-fogo eliminou um "risco de cauda" importante, mas gerou uma rotação de ativos.
Segundo Abadia, o real acaba prejudicado nessa dinâmica pela queda do petróleo e pelo ressurgimento de preocupações fiscais domésticas com a proximidade das eleições presidenciais, o que limita o fôlego da moeda brasileira no curto prazo.





