• Sábado, 21 de março de 2026

Fim da escala 6 X 1 pode eliminar até 1,1 mi de empregos, diz estudo

Nota do Ranking dos Políticos aponta para risco de informalidade, inflação e queda do PIB com proposta em debate.

A proposta de extinguir a escala de trabalho 6 X 1, em análise no Congresso, pode provocar efeitos negativos no emprego, inflação e atividade econômica, de acordo com nota técnica do Ranking dos Políticos. O estudo estima uma perda de 1,15 milhão de empregos formais e queda de até 8,1% no PIB em cenários mais pessimistas.

O estudo argumenta que a mudança, apresentada como forma de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, tende a provocar impactos estruturais ao alterar um modelo amplamente utilizado no país. Leia a íntegra (PDF – 474 kB).

De acordo com o documento, a escala 6 X 1 já está consolidada na legislação trabalhista e na jurisprudência, permitindo o cumprimento dos limites constitucionais de jornada. A proposta de mudança é discutida na PEC 8/2025.

A eliminação representaria uma ruptura com a lógica de flexibilidade regulada”, afirma a nota, ao defender que mudanças desse tipo deveriam ocorrer via negociação coletiva, e não por imposição legal uniforme. O estudo foi conduzido pelo economista Daniel Galveas.

No campo econômico, a avaliação é que a redução da jornada sem ganhos equivalentes de produtividade elevaria o custo da hora trabalhada e pressionaria empresas, especialmente nos setores de comércio e serviços.

Simulações citadas no estudo indicam que o impacto pode levar a uma perda de até 1,15 milhão de empregos formais e queda de até 8,1% no PIB em cenários mais pessimistas.

O texto também contesta a ideia de que a redução da jornada resultaria automaticamente em mais empregos, conceito conhecido como work-sharing. “Empresas tendem a racionalizar a produção e restringir novas admissões formais”, diz a nota, citando experiências internacionais em países como França, Portugal e Japão, onde os efeitos sobre o emprego foram limitados ou inexistentes.

Outro ponto destacado é o risco de aumento da informalidade. Segundo a análise, o encarecimento da contratação formal pode empurrar trabalhadores para ocupações precárias, com efeitos negativos sobre renda e consumo.

Surge o paradoxo do lazer: mais dias livres, mas necessidade de buscar renda adicional em atividades informais”, afirma o documento.

A nota também questiona os ganhos esperados em saúde e qualidade de vida. Para os autores, problemas como estresse e adoecimento estão mais ligados a más condições de trabalho e descumprimento da legislação do que ao modelo de escala em si.

O estudo conclui que a melhora sustentável do bem-estar depende de aumento de produtividade, qualificação da mão de obra e segurança jurídica, e não da redução compulsória da jornada.

Por: Poder360

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