• Domingo, 22 de fevereiro de 2026

Governo repudia falas machistas de jogador do Bragantino

Gustavo Marques reconheceu erro e pediu desculpas publicamente depois de questionar a escolha de uma árbitra em partida.

O Ministério das Mulheres e o Ministério do Esporte repudiram neste domingo (22.fev.206) as falas machistas de Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, dirigidas à árbitra Daiane Muniz. Depois da repercussão negativa, o jogador pediu desculpas publicamente, reconheceu o erro e afirmou ter procurado a juíza para se retratar.

Em entrevista depois da derrota por 2 a 1 contra o São Paulo, no sábado (22.fev), Gustavo questionou a decisão da FPF (Federação Paulista de Futebol) de designar uma mulher para apitar um confronto considerado decisivo. Ele disse que a organização deveria “olhar para jogos desse tamanho” ao definir a arbitragem de uma das quartas de final do Campeonato Paulista.

“As pastas repudiam com veemência as declarações do zagueiro Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, e manifestam solidariedade à árbitra Daiane Muniz, bem como apoio a todas as mulheres que atuam no futebol, dentro e fora de campo”, afirmou a nota conjunta dos Ministérios.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que vai monitorar o caso na Justiça Desportiva: “Vamos acompanhar atentamente os desdobramentos do caso na justiça desportiva, confiando na apuração dos fatos e na responsabilização cabível”.

Assista à fala do jogador (1min26s):

A FPF divulgou nota em que manifestou “indignação” com a declaração do jogador do Bragantino. A organização afirmou que questionar a capacidade de um árbitro com base em gênero é incompatível com os valores do esporte e informou que encaminhará o caso à Justiça Desportiva para análise de possíveis providências. Segundo a federação, Daiane Muniz integra os quadros da FPF, da CBF e da Fifa e possui qualificação técnica reconhecida.

Em nota oficial, o Red Bull Bragantino repudiou a fala do jogador, reforçou o pedido de desculpas à árbitra e às mulheres e informou que avaliará eventual punição interna. O comunicado afirma que “nada justifica o que foi dito”, mesmo diante da frustração pela eliminação. O clube avalia punição ao atleta.

Eis a íntegra da nota do Ministério das Mulheres e do Ministério do Esporte:

“Daiane Muniz é uma árbitra FPF/CBF/Fifa altamente qualificada e um homem na mesma posição jamais seria desqualificado pelo fato de ser homem. Ainda que houvesse discordância sobre sua atuação, sua competência não seria questionada por ser homem. Esse é o ponto central que precisa ser enfrentado.

“O respeito às mulheres é inegociável. Mulher deve estar onde ela quiser —no campo, na arbitragem, na gestão, na imprensa ou em qualquer outro espaço. Ser mulher não diminui competência, autoridade ou capacidade.

“Seguiremos firmes na promoção da igualdade e no enfrentamento de qualquer forma de discriminação no esporte brasileiro. Vamos acompanhar atentamente os desdobramentos do caso na Justiça Desportiva, confiando na apuração dos fatos e na responsabilização cabível.”

Por: Poder360

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