O governo de Donald Trump (Partido Republicano) alterou a política aplicada a refugiados já admitidos legalmente nos Estados Unidos e ampliou o poder de agentes de imigração para detê-los enquanto aguardam o status de residente permanente. A mudança consta em memorando do DHS (Departamento de Segurança Interna) divulgado na 4ª feira (18.fev.2026).
Pela regra em vigor até então, refugiados que completassem 1 ano no país deveriam solicitar o chamado green card, mas a ausência do documento não era considerada base adequada para detenção ou remoção. Uma diretriz de 2010 estabelecia que a falta do status permanente, por si só, não justificava prisão. As informações são da agência Reuters.
O novo texto muda esse entendimento. O DHS determinou que, 1 ano depois da admissão, refugiados retornem à custódia do governo para “inspeção e exame”. Durante essa reavaliação, poderão permanecer detidos. Segundo o órgão, a exigência de “deter e inspecionar” garante que essas pessoas sejam novamente verificadas, equipara o procedimento ao aplicado a outros solicitantes de entrada e reforça a segurança pública.
A medida integra a agenda migratória mais rígida adotada por Trump desde que voltou à Casa Branca. O número de pessoas mantidas em centros do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas) alcançou cerca de 68.000 neste mês, aumento de aproximadamente 75% em relação ao início do mandato. O endurecimento das regras foi tema central da campanha presidencial de 2024.
Organizações que atuam com reassentamento reagiram. O presidente da AfghanEvac, Shawn VanDiver, afirmou que a diretriz representa “uma reversão imprudente de política de longa data” e declarou que ela “rompe a confiança com pessoas que os Estados Unidos admitiram legalmente e prometeram proteger”. A Hias (Hebrew Immigrant Aid Society), disse que a decisão “causará danos graves a milhares de pessoas que foram acolhidas depois de fugir de violência e perseguição”.
A nova orientação também enfrenta questionamentos na Justiça. Em janeiro, um juiz federal bloqueou temporariamente política voltada a cerca de 5.600 refugiados legais em Minnesota que aguardam o green card. Na decisão, o juiz distrital John Tunheim, de Minneapolis, afirmou que agentes federais provavelmente violaram leis federais ao prender parte desses refugiados para submetê-los a verificação adicional.





