A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã pode ter sérios impactos no ciclo de cortes da taxa básica de juros (Selic) no Brasil. Segundo o diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Nilton David, o conflito pode limitar novos cortes ao provocar uma disparada nos preços e acelerar a inflação.
O economista participou do Brazil Investment Forum, organizado pelo Bradesco, em São Paulo, nesta quarta-feira (8). Segundo David, o BC tem mais “gordura” na Selic do que antes, permitindo um cenário mais favorável para a autoridade monetária lidar com os juros.
“O nível de juros hoje tem mais gordura do que tinha seis meses atrás. Obviamente, esse conflito atua no sentido oposto, pois provoca um choque relevante de preços, com chances reais de gerar efeitos de segunda ordem”, afirmou.
O choque de preços que o conflito provoca, com alta nos combustíveis provocada pela escassez de petróleo no mercado, pode elevar a inflação e diminuir a margem para novos cortes na Selic. Em março, o BC promoveu uma redução de 0,25 ponto percentual (p.p) nos juros, para 14,75% ao ano.
Porém, a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) não indicou novos cortes, afirmando que a calibração da Selic será determinada ao longo do tempo. O colegiado ressalta que as expectativas de inflação subiram com o início dos conflitos no Oriente Médio, levando a inflação para longe do centro da meta.
O Boletim Focus da última segunda-feira (6) mostra que as expectativas para o índice de preço seguem em alta pela quarta semana consecutiva. Diante da piora nas previsões do mercado financeiro, David afirmou que o movimento indica uma percepção de que o BC poderia não combater novas altas. “É um equívoco. O Banco Central vai buscar a meta”, disse.





