• Terça-feira, 3 de março de 2026

Hillary nega laços com Epstein e chama investigação de "partidária"

Ex-secretária afirma que não se recorda de ter encontrado o financista e diz que investigação virou “teatro político”.

A ex-secretária de Estado dos Estados Unidos Hillary Clinton negou ter mantido qualquer relação com Jeffrey Epstein e classificou como “partidária”  a condução do depoimento prestado na 5ª feira (26.fev.2026) ao Comitê de Supervisão e Reforma do Governo da Câmara dos Representantes dos EUA (House Committee on Oversight and Government Reform). O vídeo da oitiva foi divulgado na 2ª feira (2.mar).

Logo na abertura, Hillary afirmou que a investigação se transformou em “teatro político partidário”. Disse: “Como ex-senadora, tenho respeito pela fiscalização legislativa e espero que seja exercida de forma responsável e destemida na busca da verdade e da responsabilização. Como todos sabemos, no entanto, muitas vezes investigações do Congresso são teatro político partidário”.

Ela declarou não ter qualquer informação relevante sobre os crimes atribuídos a Epstein e a Ghislaine Maxwell. “Serei o mais clara possível: eu não tenho [informações]. Não me recordo de jamais ter encontrado o sr. Epstein. Nunca voei em seu avião nem visitei sua ilha, casas ou escritórios. Não tenho nada a acrescentar”, afirmou.

Acrescentou que só foi informada, na preparação para o depoimento, de que Epstein, que morreu em 2019 enquanto aguardava julgamento, teria participado de um evento promovido pela White House Historical Association na Casa Branca, mas disse não ter qualquer lembrança do episódio.

Questionada de forma objetiva se já havia se comunicado com dezenas de nomes ligados ao caso “em relação a Jeffrey Epstein ou Ghislaine Maxwell”, respondeu repetidamente “não” ou “não que eu me recordo”.

Ao ser instada a esclarecer se já havia tido qualquer contato com Epstein, reforçou: “Não tenho nenhuma recordação, de forma alguma, de ter tido qualquer conversa na Casa Branca ou em qualquer outro lugar, ou por qualquer tipo de dispositivo, sobre ele. Eu não sabia nada sobre ele.

Sobre Maxwell, afirmou que a conhecia “casualmente”, por ela ter sido acompanhante de um conhecido em eventos sociais e no casamento de sua filha, em 2010. Disse não considerá-la amiga e declarou não se recordar de interações frequentes.

Questionada se alguém da família mantinha relação próxima com Maxwell, respondeu que eventuais contatos se deram no contexto dessa relação social.

O comitê apresentou documentos nos quais advogados de Epstein e a própria Maxwell teriam mencionado participação na concepção da CGI (Clinton Global Initiative), braço da Fundação Clinton. Hillary declarou que não participou da criação da CGI, pois na época exercia mandato no Senado. “Eu não estava envolvida na criação da CGI”, afirmou.

Também disse não ter como atestar a veracidade de cartas em que Epstein afirmaria ter ajudado a formular a iniciativa.

Ela negou ter solicitado recursos a Epstein ou a Maxwell para a Fundação Clinton. “Não tive contato com Jeffrey Epstein. Não solicitei recursos dele”, disse.

Ao ser questionada sobre possível doação de US$ 25 mil ligada a empresas associadas a Epstein, afirmou que só tomou conhecimento da alegação na preparação para o depoimento e declarou não saber se a informação procede.

Durante a sessão, Hillary também criticou a condução da investigação e afirmou que, se o objetivo fosse esclarecer os fatos, o comitê deveria ouvir autoridades responsáveis pelas investigações e assegurar a divulgação integral dos arquivos do caso, com proteção às vítimas. Encerrando sua manifestação inicial, declarou que os congressistas deveriam priorizar medidas concretas de combate ao tráfico sexual e afirmou que as vítimas “merecem justiça”.

Hillary e Bill Clinton  inicialmente resistiram a prestar depoimento, mas aceitaram comparecer após congressistas ameaçarem responsabilizá-los por desacato ao Congresso.

A ex-secretária afirmou que o marido diria ao comitê que a “grande maioria” das pessoas que tiveram contato com Epstein antes de sua condenação, em 2008, desconhecia os crimes. Bill Clinton voou no avião de Epstein diversas vezes no início dos anos 2000, após deixar a Presidência, e nega ter cometido irregularidades.

Democratas do comitê também pediram que Trump e o secretário de Comércio, Howard Lutnick, prestem depoimento. O Departamento de Justiça informou que revisa documentos relacionados ao caso e divulgará materiais adicionais se considerar apropriado. As autoridades afirmam que Trump não foi acusado de crimes relacionados a Epstein.

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Por: Poder360

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