• Sexta-feira, 6 de março de 2026

Indústria encolhe de novo: país segue remando para a desindustrialização

Indústria de transformação acumula quinta queda nos últimos sete anos. Cenário econômico exige prudência nas discussões sobre redução da jornada de trabalho

Indústria de transformação acumula quinta queda nos últimos sete anos. Cenário econômico exige prudência nas discussões sobre redução da jornada de trabalho A retração de 0,2% no PIB da indústria de transformação em 2025 reacendeu o alerta para o avanço da desindustrialização no Brasil, segundo a Con federação Nacional da Indústria (CNI). O resultado marca a quinta queda do segmento nos últimos sete anos e reforça, na avaliação da entidade, a perda gradual de espaço do setor na economia. Após registrar crescimento de 3,9% em 2024, a indústria de transformação não conseguiu sustentar o ritmo no ano seguinte. O desempenho foi pressionado, principalmente, pela manutenção de juros elevados e pelo aumento das importações, que avançaram em ritmo superior ao da demanda doméstica. De acordo com o superintendente de Economia da CNI, Marcio Guerra, a política monetária contracionista teve impacto direto sobre a atividade. “ A Selic desestimulou o investimento, encareceu o crédito aos consumidores e restringiu a demanda por bens industriais. Essa situação é agravada pela expansão das importações, que cresceram de forma generalizada e em ritmo muito superior ao da demanda”, afirmou. window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Crescimento desigual e dependência do setor extrativo O enfraquecimento da indústria de transformação contaminou o desempenho global do setor. O PIB industrial como um todo cresceu 1,4% em 2025 — menos da metade do observado no ano anterior. O resultado só não foi mais modesto devido ao avanço de 8,6% da indústria extrativa, impulsionada pela produção de petróleo e gás. A construção civil, por sua vez, registrou expansão de apenas 0,5%, refletindo os efeitos do crédito mais caro e da desaceleração da demanda. Outro indicador que preocupa é a taxa de investimento, que encerrou 2025 em 16,8% do PIB — patamar inferior aos cerca de 20% observados entre 2010 e 2013 e considerado insuficiente para sustentar ciclos mais robustos de crescimento econômico. “O cenário preocupa, mas não é novo: desindustrialização e baixo investimento. As medidas para reverter esse quadro precisam ser tomadas de forma imediata; do contrário, o desempenho do PIB em 2026 será ainda mais modesto”, alertou Guerra. Jornada de trabalho entra no radar Em meio ao ambiente de fragilidade, a CNI também defende cautela nas discussões sobre eventual redução da jornada de trabalho. Para a entidade, a imposição de novos custos às empresas neste momento pode comprometer ainda mais a competitividade do setor. A indústria, argumenta a confederação, emprega proporcionalmente mais mão de obra qualificada do que a média do setor privado, ocupa posição central nas cadeias produtivas e está mais exposta à concorrência internacional. Além disso, há segmentos em que a compensação de horas é inviável ou excessivamente onerosa. Segundo a CNI, as incertezas geradas por esse debate tendem a postergar decisões de investimento — justamente o fator apontado como essencial para elevar a produtividade e criar condições estruturais para qualquer mudança na jornada.
Por: Redação

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