O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta 4ª feira (8.jan.2026) que “o Brasil e o povo brasileiro venceram” ao se referir aos atos do 8 de Janeiro. A declaração foi feita durante cerimônia em defesa do Estado Democrático de Direito, no Palácio do Planalto.
“O 8 de Janeiro está marcado pela vitória da nossa democracia”, afirmou. Para o presidente, a tentativa de ruptura serviu como alerta de que o regime democrático “não é uma obra inabalável”, mas uma construção permanente que exige vigilância.
Lula disse que democracia vai além do voto a cada 4 anos. Segundo ele, envolve participação social, direito ao dissenso e compromisso com um país “mais justo e menos desigual, com mais direitos e menos privilégios”. Ele citou dados econômicos para reforçar o discurso. Mencionou a menor inflação acumulada em 4 anos desde o Plano Real e disse que expectativas pessimistas feitas no início do mandato não se confirmaram.
O presidente criticou discursos que atacaram direitos humanos nos últimos anos. Disse que a tentativa de golpe buscava depor um projeto de país mais inclusivo e socialmente justo: “Os que exigiram cada vez mais privilégios para os de cima e menos direitos para quem constrói a riqueza do Brasil com o suor do próprio trabalho. (…) Os traidores da pátria que conspiraram contra o Brasil para instalar o caos na economia e provocar o desemprego de milhões de brasileiros. Eles foram derrotados. O Brasil e o povo brasileiro venceram.”
O presidente também rebateu a narrativa de conflito entre o Executivo e o Congresso Nacional. Declarou que, mesmo com uma base minoritária no Legislativo, o governo conseguiu aprovar projetos relevantes por meio do diálogo político. “A democracia é a arte do possível e da convivência democrática”, disse.
Para Lula, a democracia brasileira se fortaleceu porque as instituições reagiram de forma coordenada. Durante o discurso, ele também exaltou a atuação do STF (Supremo Tribunal Federal). Afirmou que a Corte não se submeteu “ao capricho de ninguém” e atuou com imparcialidade no julgamento dos envolvidos nos atos golpistas.
“Talvez a forma mais contundente do vigor da democracia brasileira seja o julgamento dos golpistas pelo STF”, afirmou o presidente. O Supremo ainda não terminou de julgar todos os que foram acusados de envolvimento com o episódio. Já foram condenadas 810 pessoas.
A cerimônia no Palácio do Planalto começou por volta das 11h, no Salão Nobre, com a presença de ministros, parlamentares aliados, governadores e representantes das Forças Armadas. Do lado de fora, militantes do PT e movimentos sociais acompanharam o evento por um telão instalado na Via N1, em um ambiente marcado por palavras de ordem contra a anistia aos envolvidos nos atos golpistas.
O presidente entrou no salão acompanhado da primeira-dama, Janja Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), da segunda-dama, Lu Alckmin, e de quadros centrais da articulação política do governo, como os deputados Guilherme Boulos (Psol-SP) e Gleisi Hoffmann (PT-PR), presidente nacional do PT e ministra da Secretaria de Relações Institucionais.
O ato foi aberto com a exibição de um vídeo institucional. Antes do discurso do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, parte da plateia entoou gritos de “sem anistia”, em reação direta à tramitação no Congresso de propostas que suavizam penas impostas aos condenados pelos ataques de 8 de Janeiro. Esta foi uma de suas últimas aparições públicas como ministro, já que ele deixa o cargo nesta semana, abrindo espaço para uma mudança relevante no comando da Justiça.
Na sequência, Alckmin afirmou que a “liderança de Lula salvou a democracia no Brasil”, alinhando o discurso do governo à narrativa de defesa das instituições.
Lula encerrou a cerimônia. No discurso, voltou a defender a punição dos envolvidos nos atos golpistas e justificou o veto ao trecho do projeto que alterava a dosimetria das penas. Segundo o presidente, cabe ao Judiciário, e não ao Congresso, definir critérios de punição.
Chamou atenção a ausência dos chefes dos outros Poderes. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), não participaram do evento. O presidente do STF, Edson Fachin, também não compareceu.
Em contrapartida, o Planalto reuniu praticamente todo o 1º escalão do governo, além de lideranças do Congresso e autoridades da área de segurança. Entre os presentes estava o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, nome que vem sendo ventilado nos bastidores como possível integrante de uma futura reestruturação da área de segurança pública, caso o governo avance na criação de um novo ministério.
Também participou do ato Jorge Messias, indicado pelo presidente ao STF. Até o momento, porém, o Planalto ainda não encaminhou ao Senado a mensagem oficial com a indicação, etapa necessária para o início da tramitação.
Ao final da cerimônia, Lula desceu a rampa do Planalto para cumprimentar o público na área externa, repetindo o gesto simbólico feito no ato do ano passado e encerrando o evento com uma demonstração de proximidade com a militância.
Eis a lista completa dos presentes no ato de 3 anos do 8 de janeiro, no Palácio do Planalto:





