O rebaixamento da Acadêmicos de Niterói se mostrou, como previsto, prato cheio para a direita bolsonarista. A escola de samba que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em sua estreia no Grupo Especial perdeu pontos em todos os quesitos e terminou na última posição, com a nota mais baixa de uma agremiação desde 2022.
A oposição não contava, porém, que outro pavilhão ligado ao PT —e muito mais poderoso economicamente— se sagraria vencedor. A União de Maricá, fundada em 2015 pelo atual prefeito de Maricá (RJ), Washington Quaquá, foi campeã da Série Ouro e desfilará, pela 1ª vez, na elite do carnaval do Rio de Janeiro em 2027.
Vice-presidente nacional do Partido dos Trabalhadores e presidente de honra da agremiação de Maricá, Quaquá disse ao Poder360 nesta 6ª feira (20.fev.2026) que vai pedir a “benção” de Lula para a escola, mas que não entregará um carnaval “partidário” em 2027.
“Já estamos pensando no enredo, mas ainda não temos nada decidido. Vamos explorar a brasilidade, a cultura brasileira de modo crítico, mas não seremos partidários”, afirmou Quaquá, que está em seu 3º mandato na prefeitura do município fluminense.
Sua estratégia, afirmou, é “internacionalizar a União de Maricá”. Em março, a escola de samba participará da tradicional MIPIM, a maior feira imobiliária do mundo, realizada em Cannes, na Costa Azul francesa. O evento reúne grandes investidores, desenvolvedores e lideranças internacionais do setor.
“A ideia é todo mês fazer uma apresentação em uma praça do mundo”, disse Quaquá. “Vamos levar a cultura brasileira e o nome de Maricá junto, com feijoada e caipirinha”. Na lista, também já estão previstas viagens para Paris, Madri, Lisboa, Berlim e Nova York.
Na volta de Cannes, Quaquá disse que pedirá um espaço na agenda de Lula para “abençoar” a União de Maricá. Ele deve trazer o pavilhão da escola a Brasília para que o presidente possa beijá-lo —um gesto comum no meio carnavalesco.
A agremiação teve uma rápida ascensão desde 2015, quando nasceu da fusão de outras escolas que deixaram de existir na cidade. Na época, conseguiu estrear direto na Série C, após comprar os direitos da Império da Praça Seca e permanecer por 2 anos no grupo, como manda o regimento.
A agremiação subiu para a Série Ouro em 2023 com um apoio financeiro de R$ 500 mil da prefeitura e, nos últimos 2 anos, recebeu R$ 8 milhões para suas apresentações. O valor é quase 4 vezes maior que os R$ 2,15 milhões repassados pela Prefeitura do Rio para cada uma das 12 escolas do Grupo Especial.
Para 2027, Quaquá disse que entregará “o maior orçamento da história do Carnaval”. Não revelou valores, mas, nos bastidores, a União de Maricá é conhecida por pagar bem e em dia seus prestadores de serviço —algo pouco comum no meio carnavalesco.
Tanto é que venceu a Série Ouro —apesar de diversos problemas— com um desfile luxuoso, comandado pelo multipremiado carnavalesco Leandro Vieira. A expectativa, inclusive, é de que Vieira opte por não renovar seu contrato com a Imperatriz Leopoldinense para se dedicar à escola de Quaquá.
Assim, a chegada à elite do Carnaval do Rio de Janeiro deve movimentar o cenário atual das escolas associadas à Liesa, a liga que organiza os desfiles do Grupo Especial.
Turbinada por investimentos vultosos dos royalties do petróleo de Maricá, a agremiação tem a chance de romper com o conhecido “efeito iô-iô”: por causa da falta de recursos e de tradição para disputar com escolas tradicionais, é muito comum que um pavilhão recém-chegado ao Grupo Especial seja rebaixado para a Série Ouro já no ano seguinte.
Em ano eleitoral e diante da possibilidade da continuidade do governo —já que Lula tem liderado as pesquisas—, talvez a direita precise se acostumar a ver o PT passando na avenida.





