O diretor da Unafisco (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal), Kléber Cabral, afirmou que o auditor da Receita Federal, Ricardo Mansano de Moraes, foi alvo de um “falso positivo” na investigação do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a quebra de sigilo fiscal de ministros do Supremo e de seus familiares. A declaração foi dada ao site Metrópoles nesta 5ª feira (19.fev.2026).
O ministro do STF, Alexandre de Moraes, autorizou na 3ª feira (17.fev) buscas e apreensões de bens de 4 funcionários públicos do Fisco investigados. A PF (Polícia Federal) cumpriu os mandados em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. A operação faz parte do inquérito das chamadas fake news, aberto em 2019 e que, até hoje, está inconcluso e tramita em sigilo.
Segundo o diretor da Unafisco, Moraes teria solicitado verificação de movimentações consideradas suspeitas, envolvendo inclusive parentes de 3º grau, sem indicar de forma precisa à Receita Federal quais dados teriam motivado a desconfiança. “Se o ministro estava estranhando a imprensa dando informações, o normal seria ir na Receita verificar, a Receita iria apurar, faria uma apuração administrativa. O Flávio Bolsonaro já fez isso, e esse tipo de apuração é legítima; a Receita deveria ter questionado qual dado vazou”, afirmou Cabral ao Metrópoles.
“Foi um falso positivo. Ele [Mansano] acessou, não devia ter acessado, mas foi olhar se uma pessoa conhecida era ex-esposa de um amigo, porque tinham o mesmo sobrenome, tanto que ele foi olhar em 2008, porque foi o período que o casal estava junto. Se fosse pelo vazamento, ele não iria olhar em 2008, se é um caso de 2026”, disse Cabral.
Antes de ser afastado de suas funções, Mansano atuava na delegacia da RFB em São José do Rio Preto e integrava a Equipe de Gestão do Crédito Tributário. Entre os investigados, Mansano é o que ganha o maior salário. Segundo o Portal da Transparência, ele recebeu aproximadamente R$ 51.000 em dezembro de 2025.
Por decisão de Moraes, o auditor teve os sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados e está proibido de deixar a cidade onde mora. Também deve cumprir recolhimento domiciliar noturno e aos finais de semana, teve o passaporte apreendido e passou a usar tornozeleira eletrônica.
“Uma pessoa que nunca teve processo nenhum, de repente receber a PF em casa às 6h e se ver usando uma tornozeleira é desproporcional”, disse o diretor da Unafisco.
Os outros 3 servidores alvos do inquérito são Ruth Machado dos Santos e Luciano Pery Santos Nascimento, ambos técnicos do Seguro Social, e Luiz Antônio Martins Nunes, funcionário do Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados).
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