• Sábado, 21 de fevereiro de 2026

Ameaça no curral: Como a E. coli compromete a saúde e o futuro produtivo das bezerras

A E. coli em bezerras é a maior causa de mortalidade neonatal. Aprenda a diferenciar os sintomas, as melhores práticas de colostragem e o tratamento correto

A E. coli em bezerras é a maior causa de mortalidade neonatal. Aprenda a diferenciar os sintomas, as melhores práticas de colostragem e o tratamento correto Se há um gargalo que tira o sono do produtor de leite, é a mortalidade na fase de cria. E o principal culpado tem nome e sobrenome: a diarreia neonatal. Levantamentos do setor indicam que a E. coli em bezerras é o motor por trás de mais da metade das perdas de animais antes do desmame. O prejuízo vai muito além do custo com medicamentos. Uma bezerra que adoece cedo perde desempenho, demora mais para emprenhar e produz menos leite no futuro. Mas como uma bactéria que já vive no intestino do gado se torna uma assassina? Entender essa dinâmica é o primeiro passo para blindar o rebanho.
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  • O Inimigo Invisível: Entendendo a E. coli A Escherichia coli é uma velha conhecida na microbiologia veterinária. Embora muitas de suas variantes convivam pacificamente na flora intestinal, algumas cepas específicas são verdadeiras “bombas-relógio” para o sistema imunológico ainda frágil dos recém-nascidos. window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});No campo, a atenção deve se voltar para dois tipos principais de E. coli em bezerras, que agem de formas distintas para derrubar o animal: 1. A Agressora Rápida (ETEC) A cepa Enterotoxigênica (ETEC) é a grande vilã da primeira semana de vida. Ela possui “ganchos” (fímbrias) que a fixam na parede do intestino, onde libera toxinas potentes.
  • O que acontece: Essas toxinas abrem as “comportas” das células, forçando a saída massiva de água e eletrólitos.
  • Resultado: O animal sofre uma desidratação violenta e rápida, muitas vezes antes mesmo de o produtor notar a diarreia.
  • 2. A Destruidora de Estrutura (EPEC) Já a cepa Enteropatogênica (EPEC) atua destruindo a capacidade do intestino de funcionar. Ela causa uma lesão que “apaga” as microvilosidades (estruturas responsáveis pela absorção).
  • O que acontece: Sem as microvilosidades, o intestino fica inflamado e incapaz de absorver nutrientes.
  • Resultado: Uma diarreia persistente por má absorção, que atrasa o desenvolvimento do animal.
  • Sinais de Alerta: Quando intervir? A identificação precoce separa o animal que sobrevive daquele que morre. O quadro clínico clássico da infecção por E. coli em bezerras começa com fezes líquidas e profusas. Entretanto, o produtor experiente deve olhar para o estado geral do animal. Olhos fundos, pele sem elasticidade e mucosas secas são gritos de socorro do organismo desidratado. Em casos onde a bactéria invade a corrente sanguínea (septicemia), o colapso é rápido: febre alta, choque e morte súbita podem ocorrer em questão de horas. A Regra de Ouro: Prevenção é Manejo Não existe remédio milagroso que substitua o bom manejo. A contaminação ocorre via fecal-oral, ou seja, bezerros ingerindo sujeira, água contaminada ou mamando em tetos sujos. Para vencer a guerra contra a E. coli em bezerras, a estratégia deve ser preventiva:
  • O “Santo” Colostro: É a única defesa real do recém-nascido. Garanta a ingestão de colostro de alta qualidade (10% do peso vivo) nas primeiras 6 horas. Sem isso, a porta fica aberta para a bactéria.
  • Ambiente Hostil à Bactéria: A maternidade e os bezerreiros devem ser as áreas mais limpas da fazenda. Reduzir a umidade e a densidade de animais quebra o ciclo de transmissão.
  • Vacinação Estratégica: Vacinar as matrizes no pré-parto enriquece o colostro com anticorpos específicos (como o anti-K99), transferindo uma “tropa de elite” imunológica para a cria.
  • Tratamento: Foco na Hidratação Se a prevenção falhar, a prioridade absoluta é repor o que foi perdido: água e sais minerais. O uso de antibióticos é importante, mas secundário à fluidoterapia.
  • Casos Leves: Soro oral com glicose para dar energia e repor sódio.
  • Casos Graves: Soro na veia é obrigatório para corrigir a acidose (sangue ácido) e salvar o animal do choque.
  • Lembre-se: o uso de antimicrobianos deve ser criterioso para evitar que bactérias super-resistentes surjam na sua propriedade. Consulte sempre um veterinário para definir o protocolo ideal. Escrito por Compre Rural VEJA MAIS:
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  • ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias
    Por: Redação

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