Conheça a fazenda do Exército que forja e exporta cavalos militares
Localizada no Rio Grande do Sul, unidade do Exército ocupa 15 mil hectares, forma até 170 cavalos por ano e abastece forças militares e policiais no Brasil e no exterior.
Com mais de mil animais, fazenda do Exército no Rio Grande do Sul produz cavalos militares utilizados em operações, patrulhamento e cerimônias no Brasil e no exterior. No extremo oeste do Rio Grande do Sul, na fronteira com a Argentina, uma propriedade rural de proporções impressionantes abriga uma das estruturas mais estratégicas da equinocultura brasileira. Em São Borja, a Coudelaria e Campo de Instrução de Rincão concentra a produção dos cavalos militares, desempenhando papel essencial tanto na defesa quanto na segurança pública. Com 15.362 hectares — o equivalente a cerca de 15 mil campos de futebol — e aproximadamente mil animais, a unidade é hoje a única coudelaria militar ativa do país. Diferente de haras privados, voltados à comercialização, a estrutura tem finalidade pública: formar cavalos destinados exclusivamente ao uso institucional, seja em operações, patrulhamento ou atividades cerimoniais.
A criação dos cavalos militares não ocorre de forma imediata. Trata-se de um processo altamente planejado, que pode levar até cinco anos desde o planejamento inicial até a entrega do animal pronto para uso. window._taboola = window._taboola || [];
_taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});O ciclo começa com a definição orçamentária e genética. Em seguida, ocorre o processo reprodutivo das matrizes. Após cerca de 11 meses de gestação, nascem os potros, que passam por aproximadamente três anos de desenvolvimento antes de iniciar a doma e o treinamento. Foto: @coudrincao_exercitoSomente após avaliações criteriosas — que envolvem genética, estrutura física, comportamento e desempenho funcional — os animais são direcionados às unidades militares. A produção anual gira em torno de 150 a 170 cavalos, o que representa, na prática, um animal pronto a cada dois dias. Cada exemplar possui custo médio estimado em cerca de R$ 7 mil, sendo considerado patrimônio público e destinado exclusivamente a órgãos oficiais, sem comercialização . Mesmo com a evolução tecnológica das Forças Armadas, os cavalos continuam desempenhando funções estratégicas. Eles são fundamentais em regiões onde veículos não conseguem operar com eficiência, como áreas de difícil acesso, terrenos irregulares e zonas de mata. No Brasil, os equinos formados na coudelaria são utilizados em diferentes frentes:
Patrulhamento de áreas rurais e militares
Ações de segurança pública e controle de distúrbios
Treinamento de tropas e formação de oficiais
Atividades da Escola de Equitação do Exército
Cerimônias oficiais, como as realizadas pelos Dragões da Independência
Além do Exército Brasileiro, outras instituições também utilizam esses animais, como a Força Aérea Brasileira e diversas polícias militares estaduais, ampliando a relevância da produção. A Coudelaria de Rincão também exerce papel importante fora do país. A unidade mantém intercâmbio com forças armadas da América Latina, promovendo troca de animais e material genético com países como Argentina e Paraguai.
Foto: @coudrincao_exercitoEsse relacionamento posiciona o Brasil como referência regional na criação de cavalos militares, além de fortalecer a cooperação internacional na área de defesa e equinocultura . Para atender às diferentes demandas operacionais, a coudelaria trabalha com múltiplas raças, cada uma com características específicas:
Brasileiro de Hipismo (BH) – principal destaque, com forte aptidão esportiva
Puro-Sangue Inglês (PSI) – velocidade e resistência
Cavalo Crioulo – ideal para patrulhamento ostensivo
Bretão – utilizado principalmente na reprodução
Polo Argentino – versatilidade e desempenho
O grande destaque do plantel é o Brasileiro de Hipismo, com mais de 800 exemplares, consolidando a unidade como uma das maiores criadoras da raça no país. Outro diferencial técnico é o uso de transferência de embriões, especialmente com éguas bretãs atuando como receptoras. A técnica permite acelerar o melhoramento genético e multiplicar linhagens de alto desempenho, colocando a coudelaria entre as referências da América Latina nesse tipo de biotecnologia . A criação de cavalos para uso militar no Brasil remonta ao período colonial, com registros desde o século XVII. A unidade de Rincão foi oficialmente instituída em 1922 e, ao longo do século XX, fez parte de uma rede de coudelarias espalhadas pelo país. A Coudelaria de Rincão participou do XX Festival Nacional do Cavalo Brasileiro de Hipismo que aconteceu no período de 10 – 16 de novembro de 2025. Foto: @coudrincao_exercito
Com a mecanização das Forças Armadas, o número de cavalos foi reduzido drasticamente. Durante a Segunda Guerra Mundial, o Brasil chegou a ter mais de 22 mil equinos militares. Atualmente, o efetivo gira em torno de 2 mil animais.
Hoje, a estrutura em São Borja permanece como a única coudelaria ativa do país, reunindo tradição, tecnologia e estratégia em um único espaço. Mais do que uma fazenda, o local representa um elo entre passado e presente: um sistema produtivo que mantém viva a importância do cavalo dentro da estrutura militar brasileira, mesmo em um cenário cada vez mais tecnológico.
Por: Redação
Artigos Relacionados:
'Taxa das blusinhas': setor do algodão vê 'retrocesso' em possível fim da medida
há 3 horas
'Vai de Vinho Brasileiro': Porto Alegre recebe festival gratuito com 19 vinícolas
há 8 horas
Etanol de milho: China recebe primeiras cargas de DDGS do Brasil
há 13 horas
Cigarrinha-do-milho causa prejuízo de US$ 25,8 bilhões ao Brasil
há 14 horas
Compra histórica de tilápia por Minas Gerais provoca reação no setor produtivo
há 20 horas
Morre Luciano Borges Ribeiro, pecuarista referência na criação de Nelore
há 21 horas
Vigiagro apreende até 270 quilos por dia de material irregular em bagagens no Aeroporto de Guarulhos
há 23 horas
Crédito rural de 3% ao ano e 15 anos para pagar: veja como funciona
há 23 horas
China muda ração dos porcos e ameaça bilhões do mercado global de soja
há 23 horas
Presença brasileira na China cresce com embarques de DDGS e farinha de vísceras de aves
há 23 horas
Exportações de alimentos para países islâmicos crescem mais de 60% e redesenham mapa do comércio exterior brasileiro
há 23 horas
Os bancos também erram, e muito: fique atento!
há 1 dia
Tecnologia inédita mede maciez da carne em 12 segundos; SpecFIT-Meat revoluciona o setor
há 1 dia
Safra de soja em MT supera desafios climáticos e chega a 51,56 milhões t
há 1 dia
Vaca da raça Sindi do Ceará conquista título nacional e revela nova potência da pecuária no semiárido
há 1 dia
“Trump eleva tensão com o Irã: ‘Uma civilização inteira morrerá esta noite'”
há 1 dia
Minas Gerais importa tilápia pela primeira vez mesmo com crescimento da produção
há 1 dia
Inovação no campo: Inteligência artificial agora opera sem conexão para monitorar a pecuária
há 1 dia
Prazo para Irã fechar acordo com EUA acaba hoje (7); entenda o cenário
há 1 dia
Avanço na pecuária: Equipamento mede maciez da carne em segundos e evita perdas
há 1 dia
Acidente com carga de soja interdita trecho da Rodovia SP-225 em Itirapina
há 1 dia
Importação de fertilizantes recua mais de 57% em Mato Grosso do Sul no início de 2026
há 1 dia
Governo zera impostos do querosene de aviação e cria linha de crédito para o setor
há 1 dia
Tecnoshow COMIGO 2026 começa valorizando a força do agronegócio goiano
há 1 dia
Fim das cercas? Bilionário aposta em coleira que controla vacas pelo celular
há 1 dia
Etanol: Preço médio da safra 25/26 supera o da temporada anterior
há 1 dia
Oferta global derruba preços do açúcar na temporada 2025/26
há 1 dia
Mercado SP sediará, no Mercadão, competição nacional de preparo de cafés especiais filtrados