O presidente dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano), e o governo japonês divulgaram na 3ª feira (17.fev.2026) os 3 primeiros empreendimentos industriais que receberão financiamento dentro do pacto comercial bilateral firmado em julho de 2025. Os projetos somam US$ 36 bilhões e incluem instalações de gás natural, petróleo e diamantes sintéticos que serão construídas em Ohio, Texas e Geórgia, respectivamente.
O anúncio marca o início da implementação do acordo que estabelece investimentos japoneses de US$ 550 bilhões nos EUA até 2029 em troca da redução de tarifas sobre exportações japonesas de 25% para 15%. A divulgação foi feita horas antes da posse da primeira-ministra Sanae Takaichi (Partido Liberal Democrático), confirmada pela Câmara dos Representantes japonesa nesta 4ª feira (18.fev).
O principal empreendimento é uma usina de energia a gás natural em Ohio, avaliada em US$ 33 bilhões, com capacidade de 9,2 gigawatts, que será liderada pelo grupo SoftBank. Trump classificou o projeto em sua plataforma Truth Social como o “maior da história”.
Os outros 2 projetos são uma instalação de exportação de petróleo bruto em águas profundas no Texas, com valor de US$ 2,1 bilhões, que será operada pela Sentinel Midstream, empresa de Dallas especializada em infraestrutura energética, e uma fábrica de diamantes industriais sintéticos na Geórgia, com investimento de US$ 600 milhões, sob comando da Element Six, subsidiária da De Beers.
Conforme os termos do acordo, o presidente dos Estados Unidos tem poder de decisão final sobre quais projetos receberão investimento japonês. Existe um prazo de 45 dias entre o anúncio dos empreendimentos e a obrigação do Japão de cumprir as demandas de financiamento.
A primeira-ministra Takaichi comentou nas redes sociais sobre os investimentos, afirmando que “espera-se que eles tragam aumento nas vendas e expansão dos negócios para empresas japonesas por meio do fornecimento de equipamentos relacionados”.

Autoridades japonesas informaram que empresas como Toshiba, Hitachi e Mitsubishi Electric demonstraram interesse em fornecer equipamentos para a usina termelétrica a gás. Nippon Steel, JFE Steel e o grupo Mitsui OSK Lines poderiam fornecer materiais para o terminal de exportação de petróleo.
Trump destacou em sua plataforma Truth Social a importância das tarifas para viabilizar os projetos. “A escala desses projetos é tão grande que não poderia ser realizada sem uma palavra muito especial: TARIFAS”, afirmou.

O ministro da Economia do Japão, Ryosei Akazawa, que negociou o financiamento com Lutnick, classificou o acordo como benéfico para ambas as nações: “Isso realmente representa a promoção de benefícios mútuos entre o Japão e os EUA — uma relação ganha-ganha”.
Lutnick explicou a estrutura do acordo: “O Japão está fornecendo o capital. A infraestrutura está sendo construída nos Estados Unidos. Os recursos são estruturados de forma que o Japão obtenha seus retornos e os Estados Unidos ganhem ativos estratégicos, capacidade industrial expandida e domínio energético reforçado”.
O JBIC (Japan Bank for International Cooperation) e bancos comerciais apoiados pela agência de crédito à exportação Nexi serão responsáveis pelo financiamento dos projetos para que sejam contabilizados na meta de US$ 550 bilhões.





