Este ano, as famílias se esforçam, essencialmente, por manter a esperança e lidar da melhor forma com a escassez e com uma paz que se mantém “frágil”.“Hoje recebemos ajuda, o que vai aliviar a minha preocupação sobre o que vamos comer para quebrar o jejum. Guardei uma pequena quantia para comprar um quilo de carne. O jejum requer proteína, mas não há eletricidade, não há infraestrutura, não há frigoríficos para armazenar”, confessou Hanan al-Attar à Al Jazeera, no primeiro dia do Ramadã.
“O Ramadã vai e vem, mas a nossa situação permanece a mesma”, afirmou Maisoon. Mãe de dois filhos, encontrou refúgio em Bureij depois de perder a casa no sudeste de Gaza no início da guerra. “Os meus meios são limitados, mas o que importa é que as crianças se sintam felizes”, explicou, apresentando as “modestas” decorações da tenda, preparada para receber o Ramadã e “sair da atmosfera de luto e tristeza”. Habituados a “rezar pela morte”, porque ansiavam por comida, os palestinos em Gaza preparam este período de jejum com “alegria a partir do nada”, apesar da incerteza do que pode vir a acontecer.“Infelizmente, o Ramadã não mudou a nossa realidade. Há dois anos que cozinhamos em fogo aberto, o vento apaga a chama e o meu filho tenta protegê-la com plástico. Consegui encher um cilindro de gás de oito quilos há dois meses e recusei-me a usá-lo até o Ramadã. É como um tesouro para nós”, admitiu Hanan al-Attar.
A nova fase do conflito levou ao encerramento de passagens fronteiriças e à proibição da entrada de ajuda alimentar na região. A crise de fome humanitária durou de março a setembro de 2025. Relacionadas“A situação não está completamente calma, a guerra não parou de verdade”, garantem em Bureij. O medo de que os bombardeios voltem a qualquer instante é partilhado entre todos, que recordam o sagrado mês islâmico do último ano, marcado pela escalada dos ataques israelitas em Gaza.





