• Quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Flávio é rival mais difícil do que Tarcísio, diz conselheiro de Lula

João Paulo Cunha diz que a rejeição ao sobrenome Bolsonaro já está “precificada” e fala em disputa acirrada nas eleições.

Conselheiro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ex-presidente da Câmara, João Paulo Cunha diz que o PT errou ao comemorar a escolha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como adversário na disputa presidencial. Para ele, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), seria um candidato mais fácil de derrotar.

“Eu não sei direito por que comemoraram. Do meu ponto de vista, a candidatura do Tarcísio era mais fácil de ser derrotada do que a do Flávio. É o contrário”, declarou Cunha, em entrevista ao Estadão. Segundo o petista, governadores paulistas têm histórico de dificuldade em eleições nacionais. Citou derrotas de nomes como José Serra e Geraldo Alckmin, ambos pelo PSDB, e afirmou que “o padrão cultural de gestão paulista não entra no Brasil”.

Em sua avaliação, Cunha disse que a rejeição ao sobrenome Bolsonaro já está consolidada: “A rejeição do Flávio, ou dos Bolsonaros, é uma rejeição já medida, precificada. Sabemos que qualquer coisa que a gente jogar no Flávio não vai pegar, porque a rejeição já está no limite, assim como a do Lula”.

Já Tarcísio, afirmou, ainda teria espaço para desgaste ao longo da campanha: “É um candidato novo, meio desconhecido no Brasil. Quando ele começar a fazer campanha e todo mundo começar a criticar, a rejeição dele pode passar a do Flávio”.

O ex-deputado avaliou que a eleição tende a ser “acirrada” e “pau a pau”. Demonstrou ceticismo em relação a uma 3ª via e questionou a viabilidade de alianças alternativas ao bolsonarismo.

Entre outros pré-candidatos estão nomes como o dos governadores Romeu Zema (Novo-MG) e 3 do PSD: Ronaldo Caiado (GO), Ratinho Junior (PR) e Eduardo Leite (RS). “Alguém acha que o Zema vai apoiar o Ratinho ao invés de apoiar o Flávio Bolsonaro?”, indagou.

João Paulo também reconhece que o governo demorou a buscar partidos de centro. “Perdemos um pouco do tempo. Se a gente tivesse começado isso há 1 ano, talvez estivéssemos em uma situação um pouco melhor”. Defendeu que o governo avance na construção de alianças, sem abandonar sua identidade: “O PT tem a obrigação quase histórica de continuar sendo de esquerda. Agora, o governo precisa sinalizar e avançar para o centro”.

Embora Lula e o ministro Fernando Haddad destaquem indicadores como queda do desemprego e alta da Bolsa, Cunha avalia que a economia não será o eixo central da disputa: “Os números são positivos e precisam ser divulgados. No entanto, vivemos um momento em que isso é insuficiente”.

Disse considerar difícil reduzir a rejeição de Lula e que a campanha será marcada por críticas e desinformação: “Será uma disputa muito baixa. O grande desafio é conseguir fazer uma campanha em que não cometam muitos erros. Porque, se jogar do jeito que está, o Lula vai ganhar”.

Sobre a vaga de vice, afirmou que Geraldo Alckmin (PSB) “foi tão bom que o prêmio a ele é ser o que ele quiser”. Ainda assim, pondera que o vice ideal é “alguém que possa acrescentar mais”.

Por: Poder360

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