• Sexta-feira, 10 de abril de 2026

EUA x Irã: quem venceu a guerra após o cessar-fogo? Especialista explica

Países concordaram com um cessar-fogo por duas semanas, enquanto negociações ocorrem entre as partes

Irã e Estados Unidos anunciaram, nessa terça-feira (7), um cessar-fogo de duas semanas, com uma pausa nos bombardeios e a reabertura do Estreito de Ormuz. De um lado, os EUA celebram uma vitória na guerra, enquanto o Irã também garante que venceu o conflito.

No entanto, segundo o professor de Direito Internacional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Lucas Carlos Lima, de 37 anos, ninguém saiu claramente beneficiado do conflito.

"O cessar-fogo atende, antes de tudo, a uma necessidade comum de interromper uma escalada cujo custo se tornava rapidamente imprevisível. O Irã obtém algum ganho ao manter sua posição e abrir espaço para discutir sanções. Os Estados Unidos preservam capacidade de pressão sem aprofundar o conflito. Israel evita uma ampliação regional mais difícil de controlar", explicou o especialista.

Lucas esclareceu que os "EUA conseguiram demonstrar capacidade de ação e impor custos ao Irã, o que tem valor estratégico e doméstico", porém, não há evidência de que tenham "alterado de forma decisiva o comportamento iraniano, tampouco que tenham efetuado uma substituição do regime".

Para o professor, não houve um vencedor, mas sim uma situação de equilíbrio instável, na qual "cada parte evita uma derrota mais significativa, mas não consegue impor plenamente a sua posição".

Nas últimas horas, mesmo com o cessar-fogo, Israel continua bombardeando o Líbano, algo que foi repudiado pelo Irã. O país bloqueou novamente o Estreito de Ormuz, dizendo que o acordo foi violado com os ataques israelenses.

Para o professor, a presença de atores não estatais, como o Hezbollah - alvo de Israel no Líbano - e frentes indiretas de conflito "mantém o ambiente volátil, podendo reativar a escalada. No entanto, o risco de uma guerra mundial é remoto.

"As grandes potências têm interesse claro em evitar uma generalização do conflito", afirmou.

O Paquistão foi o responsável por mediar o cessar-fogo entre os países e chegou a até mesmo elaborar uma proposta para os dois lados. Isso porque o país mantém canais de diálogo tanto com Teerã quanto Washington, além de ser importante no mundo islâmico.

"Essa combinação permite atuar como intermediário sem carregar o mesmo grau de desconfiança que outras potências regionais. Sua importância não está em impor soluções, mas em viabilizar a negociação em um ambiente de baixa confiança", explicou o professor.

Apesar do acordo de cessar-fogo, o conflito não está totalmente resolvido, de acordo com o especialista.

"Ele [o cessar-fogo] redefine o terreno em que ele passa a ser disputado. Os ganhos são limitados, os riscos permanecem e o resultado final dependerá menos dos anúncios públicos e mais dos termos concretos que venham a ser acordados nas próximas semanas", concluiu.

Por: Redação

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