Apoio ao regime
O antropólogo Paulo Hilu, coordenador do Núcleo de Estudos do Oriente Médio da Universidade Federal Fluminense (UFF), destacou à Agência Brasil que, apesar de haver uma oposição importante à República Islâmica, existem setores que apoiam o regime.Ainda segundo o especialista, a agressão contra o Irã tem feito pessoas críticas ao regime “passarem a preferir que o regime consiga se defender e salvar o Irã de uma invasão estrangeira ou de uma destruição total”. Mais de 3 mil pessoas foram mortas pelos ataques israelenses-estadunidenses no Irã durante a guerra, informou nesta quinta-feira (9) a Organização de Medicina Forense do Irã, sendo que 40% dos mortos ainda não puderam ser identificados.“Existe uma base de sustentação da República Islâmica na sociedade. São setores que são ideologicamente ou politicamente, ou por interesses pessoais, ligados à manutenção da República Islâmica. Não se trata de uma unanimidade, é uma sociedade dividida”, disse.
Protestos
Mojtaba Khamenei se tornou o Líder Supremo do Irã após a morte do pai - Arquivo/Reuters/Supreme Leader/WANA/Proibida reprodução
Protestos contra a agressão israelense-estadunidense foram registradas no Irã durante toda a guerra, mesmo sob bombas dos inimigos. No dia do ultimato do Trump, que ameaçou um genocídio contra a população iraniana, grupos foram as ruas proteger instalações elétricas e pontos, alvos anunciados da Casa Branca. Após assassinado, Ali Khamenei foi substituído pelo filho, o aiatolá Mojtaba Khamenei, que prometeu vingança “pelo sangue de seus mártires” assassinados por Israel e EUA, incluindo o pai e familiares mortos no ataque do dia 28 de janeiro. Autoridades iranianas alegam que Khamenei escolheu o caminho do martírio, se recusando a ir para abrigos subterrâneos. Ele foi alvejado no escritório que ficava na própria residência. Na cultura política do islã xiita, o martírio é visto como motivo de honra e glória.Líder Supremo.
No Irã, o Líder Supremo é eleito pela Assembleia dos Especialistas (ou dos Peritos), formada por 88 clérigos religiosos escolhidos por voto popular. Apesar do cargo ser vitalício, a Constituição do Irã permite que a Assembleia destitua o Líder Supremo. No cargo de líder supremo por 36 anos, Ali Khamenei estava no topo da estrutura de Poder da República Islâmica do Irã que, além do Executivo, do Parlamento e do Judiciário, conta com o Conselho dos Guardiões, formado por seis indicados pelo Líder Supremo e seis indicados pelo Parlamento. O Líder Supremo funciona como uma espécie de Poder Moderador no Irã. As Forças Armadas são diretamente ligadas a ele, e não ao Executivo. A República Islâmica do Irã foi instalada em 1979, após uma revolução que pôs fim a 54 anos da dinastia Pahlavi, derrubando o monarca Reza Pahlavi, aliado próximo das potências ocidentais, dando início às atuais hostilidades entre EUA e Irã. Relacionadas
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