Após reunião com o principal líder da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) nesta quarta-feira (8), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, evitou tomar medidas drásticas para reformular a relação dos EUA com a aliança. O republicado adiou, por hora, o "acerto de contas" que havia prometido sobre a abordagem cautelosa da Europa em relação à guerra contra o Irã, apontou o jornal The Washington Post.
A Casa Branca chegou a afirmar que Trump planejava discutir a possibilidade de os Estados Unidos deixarem a aliança. Isso, antes da reunião com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte. A alegação foi apontada como uma ameaça à organização que, por gerações, foi fundamental para a forma como os EUA se protegem e protegem seus parceiros.
Contudo, horas depois da reunião, uma publicação do presidente americano nas redes sociais não mencionou uma saída. Em um comentário publicado na Truth Social, Trump apenas repetiu queixas já conhecidas sobre a Otan, com citações, inclusive, sobre a Groenlândia.
“A OTAN não estava lá quando precisamos dela, e não estará lá se precisarmos dela novamente. Lembrem-se da Groenlândia, aquele enorme pedaço de gelo mal administrado!!!”, escreveu Trump.
O presidente americano é considerado um cético em relação à Otan, mas, nas últimas semanas, tem se mostrado particularmente irritado com os membros da aliança. As principais queixas do republicano são relacionadas às recusas dos países europeus de participarem dos ataques ao Irã.
Trump afirmou que eles falharam em uma espécie de "teste" para saber se eles apoiariam os EUA em um momento de necessidade militar. O republicano tem repetidamente dito que os europeus logo saberão sua resposta. O ex-primeiro-ministro holandês e secretário-geral da Otan, Mark Rutte, adotou uma postura diferente em relação a Trump.
“Ele está claramente desapontado com muitos aliados da Otan, e eu entendo seu ponto de vista”, disse Rutte à CNN após a reunião. “Mas, ao mesmo tempo, também pude destacar o fato de que a grande maioria das nações europeias tem sido prestativa com relação às bases, à logística, aos sobrevoos, garantindo que cumpram seus compromissos”, continuou.
Ao ser questionado se Trump ameaçou abandonar a Otan, Rutte evitou responder diretamente. Ele se limitou a dizer que o encontro “foi uma discussão muito aberta. Ele me disse claramente o que pensava sobre o que aconteceu nas últimas semanas.”
Caso tentasse uma retirada formal da Otan, Trump enfrentaria uma batalha legal. Mas ele poderia deixar claro que não comprometeria os EUA com a defesa de outras nações da Otan caso fossem atacadas, o que daria sinal verde aos adversários europeus interessados em tomar territórios da aliança. O principal beneficiário dessa mudança seria o presidente russo Vladimir Putin, que há muito tempo reclama da expansão da OTAN para antigos países comunistas.
"É muito triste que a Otan tenha virado as costas para o povo americano ao longo das últimas seis semanas, sendo que é o povo americano que tem financiado sua defesa", disse a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, na quarta-feira, antes da reunião.
Retirar os EUA da aliança é "algo que o presidente discutiu", disse Leavitt, "e acho que é algo que o presidente discutirá" com Rutte.
A Otan, criada pelos EUA, Canadá e Europa Ocidental para garantir a paz após a Segunda Guerra Mundial, é uma aliança focada na defesa mútua. A organização, contudo, não prevê o auxílio a um membro que decida atacar outro país.
A cláusula de defesa coletiva foi invocada apenas uma vez, pelos EUA, após os ataques de 11 de setembro de 2001. Na ocasião, os membros participaram da invasão do Afeganistão para expulsar a Al-Qaeda e o Talibã daquele país. Por outro lado, a Otan não lutou ao lado das forças americanas na Coreia, no Vietnã ou no Iraque.
O Irã confirmou, nesta terça-feira (7), o acordo de cessar-fogo com os Estados Unidos e indicou a reabertura do Estreito de Ormuz mediante coordenação com as Forças Armadas do país islâmico por duas semanas. O anúncio ocorre após o presidente americano, Donald Trump, declarar que adiou por duas semanas ataques contra Teerã, desde que o país reabrisse a rota marítima.
Em nota, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irã, Seyed Abbas Araghchi, agradeceu o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, pelos esforços para pôr fim à guerra na região. Segundo Araghchi, as forças armadas do Irã cessarão suas “operações defensivas”, se os ataques contra o país forem interrompidos.
Ainda conforme o chefe da pasta iraniana de Negócios Estrangeiros, a decisão considera o pedido dos EUA para negociações baseadas na proposta de 15 pontos do Irã, assim como o anúncio de Trump sobre a aceitação da estrutura geral da proposta de 10 pontos do Irã como base para as negociações.
Em publicação na rede social X, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, confirmou que o acordo inclui o Líbano, país arrastado para o conflito e tido como alvo de diversos ataques de Israel.
"Tenho o prazer de anunciar que a República Islâmica do Irã e os Estados Unidos da América, juntamente com seus aliados, concordaram com um cessar-fogo imediato em todas as partes, incluindo o Líbano e outros locais, COM EFEITO IMEDIATO", publicou Sharif na rede social X.
O dirigente acrescentou que a capital do Paquistão, Islamabad, receberá a partir de sexta-feira (10) delegações de ambos os países para realizar negociações por duas semanas, destinadas a alcançar um "acordo definitivo".
"Esperamos sinceramente que as 'Conversas de Islamabad' cheguem a uma paz sustentável e queremos compartilhar mais boas notícias nos próximos dias", afirmou.
Ao lado do Egito, Turquia e Arábia Saudita, o Paquistão tem atuado como mediador na tentativa de reduzir as tensões no Oriente Médio.
O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã teve início em 28 de fevereiro, após um ataque conjunto que matou o então líder supremo iraniano, Ali Khamenei, em Teerã. Desde então, confrontos se intensificaram na região, com ataques e retaliações envolvendo diferentes países do Oriente Médio.
Autoridades americanas afirmam ter atingido alvos estratégicos iranianos, como sistemas de defesa aérea e embarcações militares. Em resposta, o Irã realizou ataques contra interesses dos Estados Unidos e de Israel em países vizinhos, como Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos.
A crise também se estendeu ao Líbano, onde o grupo Hezbollah, apoiado por Teerã, lançou ofensivas contra Israel. O país respondeu com ataques aéreos, ampliando o número de vítimas no território libanês. Após a morte de Ali Khamenei, um conselho iraniano escolheu Mojtaba Khamenei, filho do líder anterior, como novo líder supremo. A decisão foi criticada por Trump, que classificou a escolha como um “grande erro”.
Mais cedo, Trump havia dado um ultimato ao Irã, ao ameaçar "destruir uma civilização inteira" caso o país não abrisse o Estreito de Ormuz até as 21h no horário de Brasília.





