O Irã confirmou, nesta terça-feira (7), o acordo de cessar-fogo com os Estados Unidos e indicou a reabertura do Estreito de Ormuz mediante coordenação com as Forças Armadas do país islâmico por duas semanas. O anúncio ocorre após o presidente americano, Donald Trump, declarar que adiou por duas semanas ataques contra Teerã, desde que o país reabrisse a rota marítima.
Em nota, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irã, Seyed Abbas Araghchi, agradeceu o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, pelos esforços para pôr fim à guerra na região. Segundo Araghchi, as forças armadas do Irã cessarão suas “operações defensivas”, se os ataques contra o país forem interrompidos.
Ainda conforme o chefe da pasta iraniana de Negócios Estrangeiros, a decisão considera o pedido dos EUA para negociações baseadas na proposta de 15 pontos do Irã, assim como o anúncio de Trump sobre a aceitação da estrutura geral da proposta de 10 pontos do Irã como base para as negociações.
Em publicação na rede social X, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, confirmou que o acordo inclui o Líbano, país arrastado para o conflito e tido como alvo de diversos ataques de Israel.
"Tenho o prazer de anunciar que a República Islâmica do Irã e os Estados Unidos da América, juntamente com seus aliados, concordaram com um cessar-fogo imediato em todas as partes, incluindo o Líbano e outros locais, COM EFEITO IMEDIATO", publicou Sharif na rede social X.
O dirigente acrescentou que a capital do Paquistão, Islamabad, receberá a partir de sexta-feira (10) delegações de ambos os países para realizar negociações por duas semanas, destinadas a alcançar um "acordo definitivo".
"Esperamos sinceramente que as 'Conversas de Islamabad' cheguem a uma paz sustentável e queremos compartilhar mais boas notícias nos próximos dias", afirmou.
Ao lado do Egito, Turquia e Arábia Saudita, o Paquistão tem atuado como mediador na tentativa de reduzir as tensões no Oriente Médio.
O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã teve início em 28 de fevereiro, após um ataque conjunto que matou o então líder supremo iraniano, Ali Khamenei, em Teerã. Desde então, confrontos se intensificaram na região, com ataques e retaliações envolvendo diferentes países do Oriente Médio.
Autoridades americanas afirmam ter atingido alvos estratégicos iranianos, como sistemas de defesa aérea e embarcações militares. Em resposta, o Irã realizou ataques contra interesses dos Estados Unidos e de Israel em países vizinhos, como Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos.
A crise também se estendeu ao Líbano, onde o grupo Hezbollah, apoiado por Teerã, lançou ofensivas contra Israel. O país respondeu com ataques aéreos, ampliando o número de vítimas no território libanês. Após a morte de Ali Khamenei, um conselho iraniano escolheu Mojtaba Khamenei, filho do líder anterior, como novo líder supremo. A decisão foi criticada por Trump, que classificou a escolha como um “grande erro”.
Mais cedo, Trump havia dado um ultimato ao Irã, ao ameaçar "destruir uma civilização inteira" caso o país não abrisse o Estreito de Ormuz até as 21h no horário de Brasília.





