“Poderíamos ter feito um acordo em vez de enviar os B-2s para destruir seu potencial nuclear. E tivemos que enviar os B-2s.”
Ameaça
Logo após o início das negociações, a mídia iraniana citou o líder supremo aiatolá Ali Khamenei dizendo que Washington não poderia forçar a saída de seu governo. A república é governada por clérigos desde a Revolução Islâmica de 1979. “O presidente dos EUA diz que seu exército é o mais forte do mundo, mas o exército mais forte do mundo às vezes pode levar um tapa tão forte que não consegue se levantar”, disse em comentários publicados pela mídia iraniana. Uma autoridade de alto escalão iraniano disse à Reuters que o sucesso das negociações em Genebra dependia de os EUA não fazerem exigências irrealistas e de sua seriedade em suspender as sanções econômicas que prejudicam o Irã. Confira informações sobre o assunto no Repórter Brasil, da TV BrasilAlvos nucleares
Teerã e Washington tinham programado a sexta rodada de negociações em junho do ano passado, quando Israel, aliado de Washington, lançou uma campanha de bombardeios contra o Irã, à qual se juntaram bombardeiros B-2 dos EUA que atacaram alvos nucleares. Desde então, Teerã afirmou ter suspendido as atividades de enriquecimento de urânio. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse que as opiniões de Teerã sobre a questão nuclear, o levantamento das sanções e uma estrutura para qualquer entendimento foram transmitidas ao lado norte-americano. A reunião ocorreu na residência do embaixador de Omã na ONU, em meio a forte presença de segurança. Alguns carros com placas diplomáticas iranianas eram visíveis do lado de fora. As Forças Armadas dos EUA estão se preparando para a possibilidade de semanas de operações contra o Irã, caso Trump ordene um ataque, disseram duas autoridades americanas à Reuters. Washington e Israel acreditam que o Irã tem intenção de construir armas nucleares que poderiam ameaçar a existência de Israel. O Irã afirma que seu programa nuclear é puramente pacífico, embora tenha enriquecido urânio muito além da pureza necessária para gerar energia e próximo do necessário para uma bomba.Protestos
Desde os ataques de junho, os governantes islâmicos do Irã enfrentam protestos de rua, reprimidos com o custo de milhares de vidas, contra uma crise no custo de vida impulsionada em parte por sanções internacionais que estrangularam a receita do petróleo do Irã. O Irã aderiu ao Tratado de Não Proliferação Nuclear, que garante aos países o direito de desenvolver energia nuclear civil em troca da renúncia às armas atômicas e da cooperação com a agência nuclear da ONU, a Agência Internacional de Energia Atômica. Israel, que não assinou o TNP, não confirma nem nega ter armas nucleares, sob uma política ambígua de décadas destinada a dissuadir os inimigos vizinhos. *Reportagem adicional de Parisa Hafezi e Elwely Elwelly em Dubai, Humeyra Pamuk em Budapeste, Rishabh Jaiswal em Bengaluru, Steve Holland em Washington Relacionadas
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