• Sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Nem Wagyu, nem Angus: conheça o Hanwoo, a carne mais exclusiva e valorizada da Ásia

Criado há milênios e resultado de décadas de melhoramento genético, o Hanwoo combina marmoreio elevado, rastreabilidade rigorosa e produção limitada — fatores que transformaram a carne em um dos produtos bovinos mais exclusivos do mundo e despertam o interesse crescente do mercado internacional.

Criado há milênios e resultado de décadas de melhoramento genético, o Hanwoo combina marmoreio elevado, rastreabilidade rigorosa e produção limitada — fatores que transformaram a carne em um dos produtos bovinos mais exclusivos do mundo e despertam o interesse crescente do mercado internacional. A crescente valorização das carnes bovinas premium tem redesenhado o mapa da pecuária mundial, abrindo espaço para raças menos conhecidas fora de seus países de origem, mas extremamente prestigiadas localmente. Entre elas está o Hanwoo, bovino nativo da Coreia que vem ganhando notoriedade por reunir marmoreio elevado, textura macia e sabor marcante, características que o colocam lado a lado com as proteínas mais caras do planeta. Considerada um verdadeiro patrimônio cultural coreano, a carne Hanwoo combina tradição milenar com tecnologia moderna de produção. Ainda que seja amplamente consumida no mercado doméstico, sua presença internacional permanece restrita — um cenário que começa a mudar lentamente à medida que consumidores globais passam a buscar experiências gastronômicas exclusivas.
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  • Os primeiros registros do Hanwoo datam de aproximadamente 2.000 a.C., indicando uma convivência de cerca de 5 mil anos com as populações da Península Coreana. Durante grande parte desse período, os animais foram utilizados principalmente como força de trabalho na agricultura. window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Questões religiosas e políticas limitaram por séculos o consumo de carne bovina, fazendo com que o abate fosse incomum. Essa condição ajudou a preservar a raça e moldar sua importância histórica. A virada ocorreu a partir da década de 1960, quando o rápido crescimento econômico da Coreia impulsionou mudanças nos hábitos alimentares e estimulou a seleção do Hanwoo para produção de carne. Desde então, programas de melhoramento genético transformaram o bovino em um dos pilares da nutrição do país. Hoje, a carne não é apenas um alimento — é vista como uma iguaria nacional altamente valorizada pelos consumidores, associada a qualidade e status.
    Vacas da raça Hanwoo. Foto: Aflnews
    Embora a origem exata do Hanwoo ainda seja debatida, estudos sugerem que seus ancestrais podem ter migrado para a península vindos da África, do Oriente Médio ou do norte da China e da Manchúria. Ao longo do tempo, intercâmbios regionais favoreceram cruzamentos com bovinos chineses e japoneses, contribuindo para a diversidade genética. A raça é classificada em quatro cores principais:
  • marrom-amarelada
  • preta
  • branca
  • malhada
  • Entretanto, mais de 90% dos animais apresentam pelagem marrom-amarelada, hoje considerada característica predominante. Desde os anos 1980, pesquisadores concentram esforços em três objetivos centrais:
  • elevar o marmoreio
  • intensificar sabor e aroma
  • aumentar a produtividade
  • O resultado é uma carne reconhecida pelo equilíbrio entre gordura e proteína. O Hanwoo foi geneticamente direcionado para apresentar altos índices de gordura intramuscular, fator determinante para maciez e suculência. Além disso, a carne possui teor relevante de ácido oleico, associado a melhor palatabilidade.
    Carne Hanwoo Foto: wiifreear
    Outras raças coreanas, como o gado preto de Jeju e o Heukwoo, podem apresentar níveis ainda maiores desse composto e de aminoácidos — o que indica potencial para sabores ainda mais complexos —, mas o Hanwoo permanece como principal referência comercial. Essa combinação garante um produto frequentemente descrito como intenso, aromático e profundamente “carnudo”. Comparações com o Wagyu japonês são inevitáveis no universo das carnes de luxo. Há inclusive teorias de que o Wagyu tenha ancestralidade ligada ao Hanwoo, o que explicaria algumas semelhanças sensoriais. A principal diferença está na proporção de gordura.
  • Um bife Wagyu pode atingir cerca de 70% de gordura
  • Já o Hanwoo costuma variar entre 40% e 50%, mantendo maior presença de proteína
  • Na prática, isso significa uma carne menos untuosa, com textura mais firme e sabor bovino mais evidente. O Hanwoo costuma agradar consumidores que buscam equilíbrio — algo menos gorduroso que o Wagyu, mas mais macio que a carne tradicional. A carne segue um sistema de qualidade que varia de 1++ a 3, sendo o nível 1++ o mais valorizado, graças ao grau extremo de marmoreio.
    Este touro certificado Hanwoo, que ficou em primeiro lugar em todo o país no teste de proficiência, não é negociado no mercado, mas sabe-se que tem um valor de cerca de 15 bilhões de won. Foto: Asiae
    Trata-se de um produto claramente posicionado no segmento premium. Em média, 100 gramas podem custar cerca de US$ 8, frequentemente superando outras carnes nobres. Os preços elevados refletem fatores estruturais:
  • produção limitada
  • longo ciclo de melhoramento genético
  • manejo altamente controlado
  • forte demanda doméstica
  • A Coreia adota um modelo produtivo que prioriza controle absoluto da cadeia. Cada bovino possui um identificador eletrônico individual, conectado a um banco de dados nacional que reúne informações como histórico sanitário, vacinação e tratamentos. O objetivo é garantir transparência e elevar a confiança do consumidor — um requisito essencial no mercado premium. A alimentação também desempenha papel decisivo. O rebanho recebe dietas específicas à base de grãos para estimular o marmoreio. Em alguns sistemas, a ração é enriquecida com cerveja, prática associada à manutenção da suculência. Há ainda diferenças em relação ao Wagyu:
  • Wagyu consome maior volume de milho
  • Hanwoo recebe maior proporção de aveia
  • Mais do que uma proteína animal, o Hanwoo representa orgulho nacional. A carne é protagonista em celebrações e amplamente utilizada no tradicional Korean BBQ (KBBQ). Cortes nobres, como o contrafilé, estão entre os mais procurados, mas a carne também aparece em sopas e pratos típicos que valorizam sua profundidade de sabor. A preferência por frescor e qualidade faz com que consumidores coreanos aceitem pagar preços elevados, mantendo a demanda interna aquecida. Apesar do prestígio, a carne Hanwoo permanece relativamente desconhecida fora da Ásia. O principal motivo é simples: quase toda a produção é absorvida pelo mercado interno. A abertura recente de mercados como Hong Kong sinaliza uma possível internacionalização, mas ainda em ritmo cauteloso. A consistência genética necessária para atingir os padrões premium ajuda a explicar essa limitação. O desenvolvimento de animais com marmoreio uniforme pode levar de cinco a dez gerações — algo entre 15 e 30 anos — tornando a expansão rápida praticamente inviável. Mesmo com atributos competitivos, alguns obstáculos ainda restringem a presença internacional do Hanwoo:
    Foto: k-beef
  • custos elevados de produção
  • volume reduzido
  • necessidade de estratégias de marca
  • adaptação ao paladar de outros países
  • Além disso, como a seleção genética foi moldada pelas preferências coreanas, especialistas defendem novas pesquisas para medir a aceitação em grandes mercados consumidores. O Hanwoo reúne características que o colocam entre as proteínas mais sofisticadas do mundo. Raridade, tradição, rastreabilidade e qualidade sensorial formam um pacote altamente valorizado em um mercado cada vez mais orientado por diferenciação.
    Por: Redação

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