O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), suspendeu diversas medidas de segurança tecnológica direcionadas à China. A decisão foi tomada na 5ª feira (12.fev.2026), antes da reunião com o presidente chinês, Xi Jinping (Partido Comunista Chinês), programada para abril.
Entre as ações suspensas estão a proibição das operações da China Telecom nos EUA e restrições à venda de equipamentos chineses para data centers norte-americanos. As informações foram relatadas à Reuters por quatro fontes que pediram anonimato.
As suspensões incluem ainda propostas de proibição das vendas domésticas de roteadores fabricados pela TP-Link, restrições aos negócios de internet da China Unicom e da China Mobile nos EUA, além de uma medida que impediria a venda de caminhões e ônibus elétricos chineses no mercado norte-americano.
As decisões fazem parte de uma série de ações do governo Trump para evitar medidas que possam antagonizar Pequim, depois de um acordo comercial alcançado em outubro. Na ocasião, a China também se comprometeu a adiar restrições à exportação de minerais de terras raras, fundamentais para a fabricação de tecnologias em escala global.
As medidas da administração Trump buscam reduzir as tensões associadas à guerra comercial entre os 2 países. Críticos, porém, afirmam que a suspensão pode fragilizar a proteção de infraestruturas sensíveis, como data centers e redes de telecomunicações.
A Embaixada da China em Washington declarou oposição a “transformar questões comerciais e tecnológicas em armas políticas” e afirmou estar aberta à cooperação com os EUA, o que poderia fazer de 2026 “um ano em que os países avancem em direção ao respeito, à coexistência pacífica e à cooperação de benefício mútuo”.
A TP-Link Systems Inc., sediada na Califórnia e desmembrada de uma empresa chinesa em 2024, declarou ser uma companhia norte-americana independente, “com software gerenciado nos EUA, dados hospedados no país e práticas de segurança alinhadas aos padrões da indústria americana”.
A Casa Branca e as estatais chinesas China Telecom, China Mobile e China Unicom não responderam aos pedidos de comentário sobre as medidas nem sobre os motivos da suspensão. Trump planeja visitar Pequim em abril e convidou Xi para ir aos Estados Unidos ainda neste ano.
Alguns legisladores democratas criticaram a decisão. O líder da minoria no Senado dos EUA, Chuck Schumer (Partido Democrata), declarou: “Você não pode afirmar ser ‘duro com a China’ e permitir que o Partido Comunista Chinês amplie sua presença tecnológica em infraestrutura crítica e empresas por toda a América — da indústria automobilística às telecomunicações. Na pressa de agradar o presidente Xi, Trump está colocando em risco nossa segurança nacional e os dados pessoais de milhões de americanos.”
Durante grande parte do ano passado, o subsecretário de Comércio Jeffrey Kessler teria atrasado o avanço das medidas, citando a necessidade de obter aprovação da Casa Branca e do secretário de Comércio, Howard Lutnick.
Após o acordo comercial de outubro, autoridades instruíram o escritório responsável por monitorar ameaças tecnológicas estrangeiras a concentrar esforços no Irã e na Rússia. O Departamento de Comércio dos Estados Unidos não comentou sobre a mudança de abordagem.
A TP-Link informou ter mantido diálogo com o Departamento de Comércio em 2025 para tratar de preocupações relacionadas à segurança nacional. Em resposta à Reuters, a empresa afirmou que seus roteadores não são alvos exclusivos de ataques cibernéticos e que seu código foi submetido a testes rigorosos por especialistas nos EUA, acrescentando que “cooperou plenamente com o Departamento de Comércio” e que não comenta detalhes específicos de investigações governamentais.





