• Segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Zema critica desfile pró-Lula: "Levarei esse crime para a Justiça"

Governador de Minas afirma que Acadêmicos de Niterói ridicularizou evangélicos com fantasias de latinhas.

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), declarou, na madrugada desta 2ª feira (16.fev.2026), que entrará com ação judicial contra o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói realizado no domingo (15.fev) em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo ele, o desfile ridicularizou a comunidade evangélica brasileira, uma vez que a agremiação teria retratado fiéis evangélicos de forma desrespeitosa. Durante o desfile, uma ala da Acadêmicos de Niterói criticou o grupo religioso que, segundo a escola, “atua fortemente em oposição a Lula, votando contra a maioria das pautas defendidas por ele, como privatizações e o fim da escala de trabalho 6 X 1”.

Em seu perfil oficial no X, o governador afirmou em vídeo: “O Brasil é um país de muita fé. São mais de 50 milhões de evangélicos. Gente que trabalha duro, que cria filhos, que paga impostos, que ora pelo país. Agora eu vejo uma ala desse desfile do Lula colocando evangélico dentro de lata, como se fosse caricatura. Isso não é arte, isso é sim desrespeito”.

A fala é em referência à ala da agremiação chamada de “neoconservadores em conserva”, onde a fantasia era uma lata de conserva com o desenho de uma família formada por pai, mãe e duas crianças. A escola escolheu o 4 representantes dos “grupos que levantam a bandeira do neoconservadorismo”: o agronegócio, uma mulher de classe alta, defensores da ditadura militar e evangélicos.

O governador mineiro argumentou que discordar politicamente é aceitável, mas transformar a religião em alvo de ridicularização constitui crime de preconceito religioso. Ele se manifestou contra o que considera ser uma polarização da fé de brasileiros.

“No Brasil que eu quero, todo mundo é livre para crer e todo mundo merece e é digno de respeito”, acrescentou o governador.

Na legenda da publicação Zema completou: “Chega a ser constrangedor e inacreditável o que foi feito no Carnaval do Rio. Levarei esse crime para a Justiça”.

Assista ao vídeo (1min7s):

A Acadêmicos de Niterói estreou no Grupo Especial do Carnaval do Rio com um samba-enredo sobre Lula: “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.

O mulungu é uma árvore nativa do Brasil, encontrada principalmente na Caatinga e na Mata Atlântica. Seu nome científico é Erythrina velutina. Pode atingir até 15 metros de altura. A planta produz flores vermelhas de agosto a janeiro, período em que fica sem folhas. A origem do nome vem do tupi “mussungú” ou “muzungú”, com possíveis raízes etimológicas africanas relacionadas ao significado de “pandeiro”.

Fundada em 2018, a escola participou de só 3 carnavais antes de vencer a Série Ouro (antigo Grupo de Acesso), em 2025, e ser alçada ao grupo de elite do carnaval do Rio. Competirá com agremiações tradicionais do Rio de Janeiro, como Mangueira, Portela e Salgueiro. 

A oposição criticou:

A escolha do enredo não foi a única controvérsia protagonizada pela agremiação fluminense. O Poder360 mostrou, em 5 de fevereiro, que o presidente da escola, Wallace Palhares, foi demitido do cargo de assistente da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro).

Ouça o samba-enredo da Acadêmicos de Niterói (6min30s):

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Por: Poder360

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