• Sexta-feira, 10 de abril de 2026

Brasil e EUA fecham aliança contra tráfico internacional

Operação conjunta foca no rastreamento de armas e no compartilhamento de informações entre os países

O governo brasileiro anunciou nesta sexta-feira (10) uma nova etapa na cooperação com os Estados Unidos para enfrentar o crime organizado transnacional. A iniciativa une a Receita Federal do Brasil (RFB) ao U.S. Customs and Border Protection (CBP), agência de fronteiras americana, com foco no combate ao tráfico internacional de armas e drogas.

Batizado de Projeto MIT (Mutual Interdiction Team), o acordo prevê a integração de inteligência e a realização de operações conjuntas para interceptar remessas ilícitas. A ação faz parte de uma agenda bilateral mais ampla, construída a partir do diálogo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A articulação foi ganhando mais notoriedade em janeiro de 2026, após uma visita técnica a Foz do Iguaçu, com atenção especial à região da Tríplice Fronteira, considerada estratégica para o fluxo de mercadorias ilegais.

Um ponto bastante importante da operação é o Programa DESARMA, sistema desenvolvido pela Receita Federal para ampliar o rastreamento internacional de armas e materiais sensíveis. A ferramenta permite o compartilhamento de dados em tempo real entre os dois países, incluindo informações sobre origem de cargas, rotas logísticas e identificação de remetentes.

O sistema também viabiliza o envio de alertas às autoridades dos países de origem das mercadorias apreendidas, criando uma atuação antecipada sobre as redes criminosas e reforçando o controle da cadeia logística internacional. Os primeiros resultados já indicam impacto prático. Informações compartilhadas permitiram identificar métodos sofisticados de ocultação, como partes de fuzis escondidas em equipamentos de airsoft e drogas camufladas em produtos comuns, como ração animal enviada por remessas postais.

Nos últimos 12 meses, foram registradas 35 ocorrências envolvendo armamentos, com apreensão de 1.168 partes e peças, totalizando cerca de 550 quilos. A maior parte das remessas teve origem na Flórida, nos Estados Unidos, frequentemente com declarações fraudulentas.

O avanço no rastreamento de armas também tem reflexos no combate ao tráfico de drogas. No Aeroporto de Guarulhos, as apreensões saltaram de 89 quilos em 2024 para 1.562 quilos apenas nos três primeiros meses de 2026, indicando mudança no perfil das operações criminosas, com maior uso de cargas e diversificação de rotas.

A cooperação é respaldada por instrumentos legais, como a Portaria RFB nº 663/26, que autoriza o compartilhamento de informações e a execução de ações coordenadas entre os dois países. A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla do governo brasileiro baseada em inteligência, tecnologia e cooperação internacional para desarticular redes criminosas, reduzir a circulação de armas e reforçar o controle de fronteiras.

O movimento também antecede a agenda do ministro da Fazenda, Dario Durigan, que estará em Washington entre os dias 14 e 17 de abril para participar dos Encontros de Primavera do FMI e do Banco Mundial.

Por: Redação

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