• Domingo, 22 de fevereiro de 2026

Reservas em moeda chinesa caem no mundo e sobem no Brasil

Fatia global diminuiu em 2024 para 2,3% do total e brasileira aumentou para 5,3%; proporção no mundo manteve queda em 2025. Leia no Poder360

A moeda chinesa passou de 4,8% do total das reservas brasileiras em 2023 para 5,3% em 2024, segundo o BC (Banco Central). A autoridade monetária divulgará os dados de 2025 em março.

O nome oficial do dinheiro da China é renminbi. Quer dizer “moeda do povo”. A unidade de medida do renminbi é o yuan. Trata-se de uma situação diferente do Brasil, onde real é tanto o nome da moeda quanto sua unidade de medida.

As reservas na moeda chinesa eram 2,3% do total mundial em 2023, segundo o FMI (Fundo Monetário Internacional). O percentual global ficou abaixo do patamar brasileiro. Diminuíram para 2,1% em 2024. O Brasil tem exposição proporcionalmente maior ao renminbi do que a média global.

Os dados trimestrais do FMI em 2025 mostram continuidade da queda. As reservas em renminbi baixaram para 1,9% do total no 3º trimestre. Os dados do 4º trimestre ainda não saíram.

O BC afirma no “Relatório de Gestão sobre Reservas Internacionais” que, com a fatia de cada moeda, “busca-se o hedge (proteção) da dívida externa bruta”. Leia a íntegra do relatório (PDF – 4 MB).

O Poder360 perguntou ao BC por que há reservas brasileiras em yuan se não há títulos do Brasil nessa moeda. Não houve resposta a essa pergunta. A autoridade monetária disse por meio de nota na 5ª feira (19.fev.2026) que todas as informações disponíveis sobre reservas estão no relatório. Leia a nota mais abaixo.

O Brasil evidencia sua aproximação com a China ao manter proporção de reservas em renminbi mais que o dobro da média global. Esse tema é sensível para o governo dos Estados Unidos. Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump (Partido Republicano) deverão se encontrar em março de 2026 em Washington. A relação dos 2 presidentes melhorou na comparação com julho de 2025, quando os EUA anunciaram o tarifaço a produtos brasileiros. Mas os riscos permanecem.

Os EUA querem limitar o avanço da China na América Latina. O Brasil não pode renunciar ao mercado chinês para suas exportações. Só que os EUA esperam que o Brasil faça concessões. Não está claro ainda quais seriam.

Conte o avanço da relação Brasil-China poderá vir a ser uma das demandas dos EUA. O governo brasileiro tem planos de lançar títulos em yuan, sem data definida. Certamente seria algo pequeno perto do volume do comércio entre os 2 países. Mas é algo que vai em direção ao projeto chinês de que o renminbi substitua o dólar como moeda global de valor.

Eis a nota do BC de 5ª feira (19.fev.2026):

“O BC não comenta sobre decisões futuras dos investimentos das reservas internacionais. Para detalhamento e acompanhamento histórico das alocações, o BC publica anualmente o Relatório de Gestão das Reservas Internacionais, no seu sítio na internet: https://www.bcb.gov.br/publicacoes/relgestaoreservas. Nele é apresentada a Política de Investimentos para as reservas, bem como a evolução da distribuição de moedas dos investimentos. Os dados referentes a 2025 estarão disponíveis no próximo relatório, a ser divulgado ao público no mês de março.

“Além desse relatório, as Demonstrações Financeiras do BC também apresentam informações sobre a alocação de moedas dos ativos do BC. O documento das Demonstrações Financeiras de 2025, quando divulgado para o público, poderá ser acessado em: https://www.bcb.gov.br/acessoinformacao/balanceteslai?ano=2025

“Em relação à gestão dos ativos, o BC segue a Política de Investimentos descrita no mencionado Relatório de Gestão das Reservas Internacionais, a qual trata dos fatores que influenciam a gestão dos investimentos, além de estar amparado em sua Política de Gestão Integrada de Riscos (disponível em https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/exibenormativo?tipo=Resolu%C3%A7%C3%A3o%20BCB&numero=70). Os parâmetros para o processo de alocação estratégica de ativos (Strategic Asset Allocation – SAA) baseiam-se em uma gestão integrada de ativos e passivos nacionais denominados em moeda estrangeira – abordagem conhecida como Asset-Liability Management (ALM) – com cobertura cambial de 100% da dívida externa do setor público. Outros fatores estratégicos também são considerados (diversificação de ativos, caráter anticíclico da carteira, exposição cambial da dívida externa privada, exposição a riscos climáticos etc.) e são observados os critérios de segurança, liquidez e rentabilidade, priorizados nessa ordem. O portfólio resultante reflete o apetite por riscos conservador do BC no que diz respeito à relação entre risco e retorno e flutuações de curto prazo nas variáveis que impactam preços dos ativos, como cotações de moeda e taxas de juros, não afetam as decisões de longo prazo.”

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Por: Poder360

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