Beef On Track: Brasil ganha primeira certificação global de carne bovina livre de desmatamento
Com exportações recordes e pressão por rastreabilidade, certificação do Imaflora cria níveis de verificação socioambiental para a pecuária e tenta abrir espaço em mercados mais exigentes com primeira certificação global de carne bovina livre de desmatamento
Com exportações recordes e pressão por rastreabilidade, certificação do Imaflora cria níveis de verificação socioambiental para a pecuária e tenta abrir espaço em mercados mais exigentes com primeira certificação global de carne bovina livre de desmatamento O Brasil, líder mundial nas exportações de carne bovina, começa a dar um passo estratégico para disputar os mercados mais rigorosos do planeta com um novo argumento: rastreabilidade socioambiental com verificação formal e selo reconhecível. No dia 21 de outubro de 2025, em São Paulo, o Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola) lançou o Beef on Track (BoT), sistema definido como a primeira certificação global do mundo capaz de atestar carne bovina livre de desmatamento, criando uma régua clara para atender a exigências internacionais que se intensificam ano após ano. O lançamento acontece em um momento em que o setor vive dois movimentos simultâneos: de um lado, o desempenho histórico do Brasil no comércio exterior; de outro, a necessidade crescente de provar origem e conformidade para não perder espaço em mercados que já tratam o desmatamento como barreira comercial.
Em 2025, o Brasil exportou cerca de 3,1 milhões de toneladas de carne bovina (fresca ou congelada) e faturou US$ 16,6 bilhões, segundo dados compilados a partir do MDIC/Secex, mostrando como a pecuária segue como um dos motores do agro nacional. window._taboola = window._taboola || [];
_taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});No mesmo período, a carne brasileira chegou a 177 destinos e o MAPA informou a abertura de 11 novos mercados para o produto. Uma certificação que nasce no centro da “guerra” por mercado A proposta do Beef on Track é simples de entender, mas complexa de executar: transformar uma exigência que muitas vezes aparece de forma genérica (“carne sustentável”, “cadeia limpa”, “livre de desmatamento”) em um sistema de regras e auditoria que permita comprovação real. O Imaflora destaca que o BoT surge como resposta a uma lacuna do setor: uma parte da pecuária brasileira já opera com conformidade legal e sem desmatamento, mas faltava um instrumento robusto que desse visibilidade e reconhecimento de mercado a esse esforço. Isso ganha força principalmente por causa do que está acontecendo fora do Brasil: varejistas, importadores e consumidores finais em mercados premium passaram a exigir provas documentadas, e não apenas declarações. Como funciona o Beef on Track (BoT) O BoT foi desenhado em quatro níveis, permitindo que a cadeia avance de forma gradual — e que o selo seja aplicável em realidades diferentes dentro do Brasil:
Bronze
Prata
Ouro
Platinum
A diferença entre os níveis está no alcance da verificação (diretos ou diretos + indiretos) e na régua ambiental (legalidade versus critérios mais amplos de desmatamento zero). Na prática, o modelo é construído assim:
BoT Bronze
No nível inicial, o foco recai sobre legalidade e fornecedores diretos, verificando se a compra está dentro das regras.
BoT Prata
Além da legalidade, passa a exigir o critério Livre de Desmatamento e Conversão (DCF) também para os fornecedores diretos.
BoT Ouro
Aqui a exigência sobe: a legalidade precisa alcançar a cadeia completa, incluindo governança para lidar com fornecedores indiretos — um dos pontos mais sensíveis da pecuária brasileira.
BoT Platinum
O nível máximo aplica o DCF para a cadeia completa, ou seja, o critério de livre de desmatamento e conversão deixa de ser apenas do fornecedor direto e passa a valer para todo o caminho do gado.
Esse detalhe é central: nem todo selo significa “desmatamento zero em toda a cadeia” de imediato, e o sistema foi desenhado justamente para elevar a régua por etapas. O que a certificação rastreia de fato O Imaflora afirma que o BoT analisa informações da cadeia para garantir que não exista produção associada a risco socioambiental, incluindo:
inexistência de desmatamento ilegal
ausência de gado em áreas embargadas
exclusão de fornecimento vindo de terras indígenas, unidades de conservação e territórios quilombolas
exigência de não constar em listas de trabalho análogo à escravidão
Nos níveis mais altos, o sistema caminha para o compromisso de desmatamento zero. A ideia é que os cortes certificados sejam identificados por um selo aplicado diretamente na carne, permitindo reconhecimento rápido no mercado — inclusive na prateleira, para o consumidor final, “em qualquer parte do mundo”.
Cadeia de custódia: como evitar “carne comum” vendida como certificada Um dos maiores riscos de qualquer certificação é o famoso “selo sem controle”. Por isso, o sistema prevê regras de cadeia de custódia, para garantir que os volumes certificados sejam controlados dentro da indústria. Entre os modelos citados estão segregação e balanço de massa, justamente para impedir que carne não certificada seja vendida como se fosse BoT. O Imaflora reforça que, no BoT, cada planta de abate será auditada individualmente, o que significa que um mesmo grupo frigorífico pode ter unidades com níveis diferentes de certificação, dependendo do estágio de conformidade socioambiental de cada operação.
E há um ponto operacional importante: as fazendas não são auditadas diretamente, porque o foco do BoT é a cadeia de compra (frigoríficos, curtumes, varejo e importadores). Por que a primeira certificação global de carne bovina livre de desmatamento ganhou peso agora? A pressão por rastreabilidade não está crescendo “por opinião”, mas por contratos, leis e compromissos internacionais. No texto de lançamento, o Imaflora destaca que o BoT é um facilitador para quem exporta para mercados que exigem comprovação, citando:
União Europeia, com avanço de regras antidesmatamento
Reino Unido, que já tem legislação para eliminar desmatamento das cadeias de fornecimento
China, principal destino da carne brasileira e com acordos voltados a comércio livre de desmatamento
Na prática, a certificação tenta reduzir o risco de o Brasil enfrentar “bloqueios indiretos”: não necessariamente proibições totais, mas exigências tão rígidas que apenas quem comprovar conformidade terá acesso — e prêmio. China já sinaliza demanda: 50 mil toneladas até junho de 2026 A certificação chega com um movimento que chama a atenção: segundo as informações divulgadas, importadores ligados à Tianjin Meat Association se comprometeram a comprar pelo menos 50 mil toneladas de carne bovina brasileira identificadas com o selo BoT até junho de 2026 — volume equivalente a 2,5 mil contêineres de 20 toneladas. A Scot Consultoria também destaca esse compromisso, relacionando o avanço da demanda ao peso crescente da exigência por prova de origem. Ou seja: o BoT não nasce apenas como “projeto”, mas já com um alvo comercial claro. O Brasil tenta acessar prêmios maiores — e o preço também entra no jogo Mesmo com competitividade, o mercado global de carne está cada vez mais segmentado. E, nesse contexto, rastreabilidade pode virar diferencial econômico. A Scot Consultoria registrou em 20 de janeiro de 2026 a arroba brasileira em US$ 59,27, entre as mais baratas do mundo, reforçando o peso da escala e do custo competitivo do Brasil. Só que, para vender mais caro, é preciso entrar onde poucos conseguem. Um exemplo citado é o Japão, que marcou para março de 2026 uma auditoria sanitária em frigoríficos brasileiros, etapa do processo de abertura desse mercado, considerado altamente exigente. Nesse cenário, certificações e rastreabilidade entram como “passaporte” para nichos premium, reduzindo ruídos e ampliando confiança. Base técnica: o BoT aproveita protocolos já existentes no Brasil Um dos elementos mais relevantes do sistema é que ele não nasce do zero. O Imaflora aponta que o BoT utiliza como instrumento um sistema de monitoramento, relato e verificação (MRV) baseado em protocolos já consolidados no setor, como:
Boi na Linha, usado pelo Ministério Público Federal para monitorar frigoríficos signatários do TAC da Carne na Amazônia Legal
Protocolo do Cerrado, de adesão voluntária
Além disso, para quem já tem rastreabilidade privada e controle desde a origem, há referência às regras do GTFI (Grupo de Trabalho de Fornecedores Indiretos) e compromissos mínimos voltados à meta de desmatamento zero. Segundo a diretora executiva do Imaflora, um frigorífico com 95% de conformidade com o Boi na Linha ou com o Protocolo do Cerrado já se torna automaticamente elegível ao BoT, precisando apenas solicitar aprovação para uso do selo — algo que reduz custo e acelera adoção. O que muda para o Brasil com o Beef On Track: rastreabilidade vira atalho comercial (e escudo reputacional) O Beef on Track – primeira certificação global de carne bovina livre de desmatamento – tenta colocar o Brasil numa posição defensiva e ofensiva ao mesmo tempo:
Defensiva, porque reduz risco reputacional em mercados que passaram a tratar desmatamento como barreira.
Ofensiva, porque cria estrutura para negociar melhor preço e disputar mercados mais duros com prova concreta de conformidade.
A lógica, segundo a análise publicada, é objetiva: quem comprova origem e conformidade aumenta a chance de acesso e prêmio. E existe um detalhe essencial para o leitor entender: o BoT cria “degraus” de evolução, começando pela legalidade e ampliando até o DCF na cadeia completa — o que evita um cenário em que apenas poucos consigam participar logo no início. Implementação em 2026 e expectativa de escala O Imaflora afirma que as auditorias serão anuais, com um compromisso de evolução contínua dentro da régua do sistema. A implementação começa em 2026, tendo como ponto de partida o engajamento da Tianjin Meat Association. Além disso, a entidade aponta expectativa de que o avanço de programas de rastreabilidade de governos federal e estaduais ajude a dar escala ao BoT e que, no futuro, ele possa ser homologado pela plataforma AgroBrasil +Sustentável, em construção com base de dados elaborada pelo Serpro. Apoios e recado ao mercado A certificação chega também com apoio institucional de organizações e coalizões que têm peso no debate global de cadeias sustentáveis, como WWF, WRI, Amigos da Terra e Tropical Forest Alliance. Para os apoiadores, o BoT pode virar uma ferramenta para reconhecer empresas comprometidas com a mudança e sinalizar evolução rumo ao desmatamento zero. O que o pecuarista e a indústria precisam ler nas entrelinhas Com o Beef on Track, o Brasil começa a desenhar um novo “código de acesso” comercial: não basta ser competitivo em volume e preço — será preciso provar, de forma organizada, o que antes era apenas dito em discurso. Para o setor, a certificação pode virar um divisor de águas porque:
organiza a auditoria e padroniza critérios
dá um “idioma comum” para falar com importadores e varejistas globais
reduz vulnerabilidade a restrições, campanhas e barreiras de reputação
abre espaço para prêmio em mercados onde sustentabilidade deixou de ser diferencial e virou obrigação
Por: Redação
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