A maioria dos governadores de Minas Gerais construiu carreira política em Belo Horizonte e poucos chegaram ao Palácio Tiradentes com trajetória exclusivamente no interior do estado.
Levantamento da coluna Poder em Minas aponta que nos últimos 50 anos, dos 13 governadores eleitos, nove nasceram em BH ou fizeram carreira política na capital mineira. Apenas quatro não tiveram relação direta com a política ou trabalharam em BH.
A lista dos políticos belo-horizontinos ou que tiveram relação com BH tem Francelino Pereira, Hélio Garcia, Newton Cardoso, Eduardo Azeredo, Aécio Neves, Antônio Anastasia, Alberto Pinto Coelho, Fernando Pimentel e o atual governador Mateus Simões.
Apesar de alguns deles terem nascido fora da capital, os nove tiveram relação direta com a política em BH.
Por outro lado, apenas quatro governadores não tiveram relação direta com a política na capital mineira: Aureliano Chaves, Tancredo Neves, Itamar Franco e Romeu Zema.
Fazendo um resgate histórico, Aureliano Chaves, que administrou Minas Gerais entre 1975 e 1978, nasceu em Três Pontas, no Sul do Estado, e se formou em Engenharia em Itajubá, também no Sul. Foi deputado estadual e federal representando Minas, mas sem vínculos fortes com Belo Horizonte, até porque depois ocupou cargos em nível federal, inclusive vice-presidente da República.
Francelino Pereira, governador entre 1979 e 1983, nasceu no Piauí, mas ainda adolescente se mudou para Belo Horizonte para estudar e se formar em Direito. E teve cargos na prefeitura e foi vereador na capital mineira.
Tancredo Neves, governador entre 1983 e 1984, nasceu e viveu até a juventude em São João Del Rei, no Campo das Vertentes. Também foi sepultado na cidade. Foi vereador no município e a família também teve histórico político por lá. Embora tenha sido um dos políticos de maior expressão no Brasil representando Minas Gerais, inclusive eleito presidente da República, isso não se deveu a atuação ou vínculos com Belo Horizonte. Morou na capital quando estou Direito, mas boa parte da vida de Tancredo se deu em Brasília por causa da política.
Hélio Garcia, que administrou o Estado duas vezes (entre 1984 e 1987 e entre 1991 e 1994) nasceu em Santo Antônio do Amparo, no caminho para o Sul de Minas. Chegou a ser prefeito de Belo Horizonte entre 1983 e 1984, acumulando com o cargo de vice-governador.
Newton Cardoso, chefe do Executivo Estadual de 1987 a 1991, era baiano, mas veio para Belo Horizonte aos 16 anos para estudar e se formar em Direito. Depois fixou a vida pública em Contagem, onde foi prefeito três vezes, e tinha muita influência em Belo Horizonte. Foi também presidente da Granbel, a Associação dos Municípios da Região Metropolitana. Newton Cardoso não teve ligações fortes com o interior.
Eduardo Azeredo, chefe do Executivo Mineiro de 1995 a 1998, nasceu, foi criado e estudou em Belo Horizonte até se formar na universidade. Foi vice-prefeito e prefeito, entre 1989 e 1992. A sua atuação na Capital foi uma das armas para se tornar governador na eleição de 1994.
Itamar Franco nasceu a bordo de um navio que seguia pelo Oceano Atlântico. Por questões geográficas, foi registrado em Salvador, na Bahia, mas fez a vida em Juiz de Fora, na Zona da Mata Mineira. Lá foi criado, estudou e se formou em Engenharia. Foi vereador e depois prefeito duas vezes. Itamar governou Minas Gerais entre 1999 e 2002.
Já Aécio Neves dividiu a vida pessoal e política em 4 cidades: Belo Horizonte, onde nasceu, São João Del, terra do avô Tancredo Neves, Rio de Janeiro, onde estudou e morou até os 12 anos, e Brasília, na esteira de seus mandatos de deputado federal e senador. Uma das fortes ligações de Aécio com a Capital Mineira foi quando disputou a Prefeitura em 1992, mas perdeu. E o principal vínculo foi em 2008, quando o tucano, numa surpreendente e controversa aliança com o então prefeito Fernando Pimentel, do PT, apoiou a eleição de Marcio Lacerda, que administrou a Capital de 2009 a 2016.
O sucessor de Aécio no Governo de Minas, Antônio Anastasia, ocupou a cadeira de 2010 a 2014. Ele as irmãs nasceram em Belo Horizonte e Anastasia foi professor de Direito da UFMG e da Milton Campos durante muitos anos. Sempre manteve residência em Belo Horizonte, embora tenha ocupado cargos em Brasília nos Governos de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). O pai do atual ministro do Tribunal de Contas da União nasceu e faleceu em Belo Horizonte. A mãe nasceu no Sul de Minas e faleceu na Capital Mineira.
Alberto Pinto Coelho, que concluiu o mandato de Anastasia em 2014, nasceu em Goiás, mas fixou residência, trabalho e vida pública em Belo Horizonte. Ele se formou em Administração de Empresas e trabalhou na iniciativa privada durante muitos anos na Capital. Faleceu e foi sepultado em BH em 2023.
O governador seguinte, Fernando Pimentel (2015-2018), é natural de Belo Horizonte. É o ex-governador que teve mais influência na cidade para a sua chegada ao cargo máximo do Estado. Estudou, fez parte de movimentos estudantis e lutou contra o Regime Militar em BH, onde também se formou, fez mestrado e foi professor universitário. Ocupou ainda a Vice-Presidência da Associação dos Professores Universitários da Capital. Ocupou vários cargos na Prefeitura antes de se tornar no ano 2000 vice-prefeito, no segundo mandato de Célio de Castro. Em 2002, assumiu a Prefeitura, já que o titular sofreu um AVC. Em 2004, Pimentel foi reeleito e em 2008 teve papel decisivo na eleição de seu sucessor, Marcio Lacerda, apoiado pelo petista e pelo então governador Aécio Neves.
Diferentemente de Fernando Pimentel, o sucessor Romeu Zema (Novo) nunca teve ligação com Belo Horizonte. Nasceu, estudou e fez carreira na vida empresarial da família em Araxá, no Alto Paranaíba. A ligação com o interior sempre foi ressaltada pelo próprio ex-governador durante sua gestão.





