• Sexta-feira, 10 de abril de 2026

Oriente Médio: mesmo com ameaças de Trump, Irã diz que não abrirá 'portas para diálogo'

Presidente dos EUA tem feito diversas ameaças contra o país persa; republicano afirmou que 'uma civilização inteira morrerá' caso Teerã não entre em acordo com Washington

A porta-voz do governo do Irã, Fatemeh Mohajerani, disse à agência de notícias oficial da República Islâmica, IRNA, nesta terça-feira (7), que as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não contribuirão para um possível diálogo entre os países.

O norte-americano tem escalado as ameaças contra o Irã e chegou a afirmar, na segunda-feira (6), que os EUA podem atacar usinas de energia, pontes e outras infraestruturas iranianas caso o país persa não chegue a um acordo ou reabra o Estreito de Ormuz.

Trump ainda apontou que o Irã tem até 20h (horário do leste dos EUA) de terça-feira (7) para fechar um acordo. Caso contrário, o país poderia ser "derrubado" em uma noite, apontando que isso poderia acontecer, inclusive, na terça.

Em uma entrevista à IRNA, Mohajerani disse que "manter a paz e a segurança do povo é a principal prioridade do governo, e ameaças não perturbarão a tranquilidade pública", acrescentando que a porta para o diálogo se abre com respeito; o caminho estreito das ameaças, da mesquinhez e da humilhação não é uma porta de entrada".

O porta-voz irianiano finalizou alertando que "ameaçar uma 'civilização' é, acima de tudo, um sinal de ignorância da história de uma nação que superou crises repetidamente e continua de pé".

Mais cedo nesta terça (7), Trump afirmou que "uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada", em referência à aproximação do prazo final para que o Irã feche um acordo com os Estados Unidos e reabra o Estreito de Ormuz.

O Irã cortou as comunicações diretas com os Estados Unidos, nesta terça-feira (7), sendo uma resposta à ameaça do presidente norte-americano, Donald Trump, informou o The Wall Street Journal. Mesmo assim, autoridades do Oriente Médio afirmaram que a negociação entre os países continua.

A decisão também havia sido noticiada pelo Tehran Times. Mas, o jornal iraniano voltou atrás e publicou, em uma rede social, afirmando que os canais de comunicação entre os países não estão fechados.

Em caso de escalada nas ofensivas dos Estados Unidos, autoridades iranianas ameaçaram deixar "todo o Oriente Médio no Escuro" se os EUA atacarem usinas de energia do Irã.

Donald Trump anunciou, em 28 de fevereiro, que os Estados Unidos atacariam o Irã com o objetivo de destruir as forças armadas do país e seu programa nuclear. Desde então mais de duas mil pessoas morreram. Em um vídeo publicado na rede Truth Social, o republicano acusou o Irã de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”. De acordo com Trump, os EUA “não aguentam mais”. Na ocasião, Israel também anunciou ataques contra o Irã.

Como resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques em grande parte do Oriente Médio, com explosões em países que abrigam bases militares norte-americanas, como os Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.

Um aspecto importante do conflito envolve o fechamento do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo.

Sem previsão para um acordo entre os países que possa pôr fim ao conflito, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organizações das Nações Unidas (ONU) estimou que mais de 45 milhões de pessoas poderão passar fome se a guerra no Oriente Médio se estender até junho deste ano. A pesquisa foi divulgada pelo diretor-executivo adjunto do PMA, Carl Skau, em março. Na ocasião, Skau disse que "a fome nunca foi tão grave como agora".

Por: Redação

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