• Sexta-feira, 10 de abril de 2026

Oriente Médio: China e Rússia vetam resolução sobre Estreito de Ormuz

Proposta foi elaborada pelo Bahrein e incentivava países utilizar força para reabrir passagem marítima

A China e a Rússia vetaram, nesta terça-feira (7), uma resolução do Bahrein, apresentada ao Conselho de Segurança da ONU, que previa o uso da força no Estreito de Ormuz — passagem marítima que está bloqueada pelo Irã, em meio à guerra do Oriente Médio envolvendo também os Estados Unidos e Israel.

"O projeto de resolução não foi adotado devido ao voto contrário de um membro permanente do Conselho", declarou o ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, ao conselho.

No total, a proposta recebeu 11 votos a favor, dois contra (China e Rússia) e duas abstenções. Porém, os membros permanentes têm o poder de vetar qualquer medida. A votação estava inicialmente marcada para a semana passada, mas foi adiada para tratativas entre diplomatas para tentar desbloquear os vetos.

A medida já enfrentava oposição da China, Rússia e da França. Os três diziam não concordar com o ponto do texto que permitia que países empregassem "qualquer medida necessária" para abrir caminho no Estreito de Ormuz.

Em uma tentativa de conquistar o apoio dos países, o Bahrein retirou do texto a referência de aplicação obrigatória da medida. O esboço final da proposta autoriza o uso da força "por um período de pelo menos seis meses (...) e até que o Conselho decida de outra forma".

A França mudou de posição e passou a apoiar a medida após as negociações. Mas a Rússia e a China mantiveram a posição contrária mesmo após a flexibilização. Mesmo com uma posição neutra na guerra, a China tem mostrado um alinhamento pragmático com o Irã, sendo o principal comprador de petróleo do país persa.

O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo, que está praticamente paralisado pela guerra no Oriente Médio.

O conflito começou em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel começaram a bomberdear o Irã. O país persa, em represália, ataca bases militares norte-americanas na região, instalações israelenses e restringe o acesso ao Estreito de Ormuz. A via é o caminho de escoamento para 20% do Gás Natural Liquefeito (GNL) negociado no planeta. Além disso, cerca de 20 milhões de barris de petróleo bruto transitam, em condições normais, pela passagem diariamente

O fechamento do Estreito de Ormuz afeta diretamente a economia mundial, visto que a maioria do fluxo atual está impedida de transitar no local. Nos Estados Unidos, por exemplo, o preço da gasolina chegou a US$ 3,72 por galão, em média, de acordo com a Associação Automobilística Americana (em inglês: American Automobile Association). Este é o preço mais alto do combustível comum desde 7 de outubro de 2023.

Além do prejuízo econômico, o fechamento do Estreito de Ormuz trouxe consequências no transporte marítimo e ataques contra embarcações, com desaparecimentos, feridos e mortes.

Donald Trump anunciou, em 28 de fevereiro, que os Estados Unidos atacariam o Irã com o objetivo de destruir as forças armadas do país e seu programa nuclear. Desde então mais de duas mil pessoas morreram. Em um vídeo publicado na rede Truth Social, o republicano acusou o Irã de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”. De acordo com Trump, os EUA “não aguentam mais”. Na ocasião, Israel também anunciou ataques contra o Irã.

Como resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques em grande parte do Oriente Médio, com explosões em países que abrigam bases militares norte-americanas, como os Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.

Um aspecto importante do conflito envolve o fechamento do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo.

Sem previsão para um acordo entre os países que possa pôr fim ao conflito, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organizações das Nações Unidas (ONU) estimou que mais de 45 milhões de pessoas poderão passar fome se a guerra no Oriente Médio se estender até junho deste ano. A pesquisa foi divulgada pelo diretor-executivo adjunto do PMA, Carl Skau, em março. Na ocasião, Skau disse que "a fome nunca foi tão grave como agora".

Por: Redação

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